Tão
perfeito que até anda sozinho...
Acabamento, acessórios, originalidade, beleza, funcionalidade.
Tudo isso conta na hora de escolher um jipe para esta seção.
Porém, o Jeep deste mês vai além das espectativas
e, não bastando o fato de ser um carro totalmente repensado
e muito bem reconstruido, tem a maior de todas as inovações
já vistas: é pilotado por controle remoto! O
Tuiuiú, com foi apelidado por Luís Henrique Amaral,
seu proprietário
e idealizador, chama a atenção por onde passa
e não é só pelo fato de ser possível
controlá-lo remotamente. O Jeep tem um visual único
com seus 44 centímetros a mais de largura, 10 a mais
no comprimento, motor à mostra, rodas com pneus 33"
e vários acessórios.
A história do Tuiuiú começa em 1994, em
Cocalinho-MT, quando Luís teve a idéia de montar
um Jeep com controle remoto. Junto com Wanderlan Pimentel, ele
começou a trabalhar em um Jeep 1955 fazendo os primeiros
testes de instalação do controle. Alguns problemas
aconteceram - o mais grave fez o Jeep sair sozinho da garagem
e descer um barranco em um dia com relâmpagos - mas serviram
para melhorar o projeto que seria aplicado em um novo veículo:
um Jeep Willys 1954. Dois anos e meio depois o Tuiuiú
estava pronto. Trabalhando com um controle de oito canais com
freqüência FM (o mesmo utilizado nos helicópteros
rádio-controlados), o rádio emite os sinais para
16 servo-motores (oito de 6 volts e oito de 12 volts) que acionam
os comandos no carro. Através do controle é possível
dar a partida, acender faróis, buzinar, acelerar, freiar,
acionar embreagem, comandar a direção e jogar
óleo no pneu traseiro - usado para facilitar as manobras
de "zerinho" que Luís faz questão de
mostrar em suas exibições no asfalto. Atualmente,
Luís e seu Tuiuiú fazem apresentações
em várias partes do país causando espanto e admiração
pelo belo trabalho realizado.
Mas
o charme do Tuiuiú não está só no
controle remoto. O Jeep funciona também pilotado normalmente
e, diga-se de passagem, muito bem. Todo o trabalho feito no
carro foi pensado para evitar problemas. Vários itens
foram criados especificamente para o Tuiuiú como os rolamentos
das rodas - foi feita uma nova peça maciça, em
aço inox para aguentar o peso do Jeep, as cruzetas -
montadas diretamente, sem grampos, para aguentar a potência
do motor, e os cardans - em ferro macico para não torcer
quando são exigidos com a força do motor.
As transformações mecânicas foram muitas.
O Jeep hoje utiliza um motor GM do Omega com preparação
no cabeçote, comando e carburação. A caixa
de quatro marchas veio da C-20, assim como a direção
hidráulica progressiva - muito útil para facilitar
as manobras com o controle remoto. O radiador, bem maior que
o do Willys original. venho da D-20. Além disso, o Jeep
Tuiuiú tem tanque de aço inox com capacidade para
120 litros, guincho Superwinch X6, duas baterias, pneus BF Goodrich
33 polegadas, bloqueio de diferencial traseiro, freio hidrovácuo
a disco nas quatro rodas, inclinômetro e, para completar
um ótimo sistema de som.
Para
aceitar todas as modificações, a reconstrução
do Jeep começou na base do veículo. Luís
Henrique aumentou a largura e o comprimento do chassi colocando
duas novas longarinas paralelas às já existentes
originalmente. Com isso, o chassi ficou com 44 centimetros a
mais na largura e dez centimetros mais comprido. A suspensão
acompanhou a mudança estrutural e ganhou quatro feixes
de molas a mais. Com o uso de dois feixes por roda a resistência
aumentou sem ter a necessidade do carro ficar mais "duro"
já que cada feixe tem metade das molas usadas normalmente.
Os eixos de F-75 foram instalados por baixo dos feixes, aumentando
a altura do carro. Para completar, foram usados amortecedores
de D-20 sendo que, na dianteira, foi criado um sistema de regulagem.
Com
todas as modificações na estrutura a carroceria
também teve de ser totalmente trabalhada. Para isso,
Luís utilizou uma chapa mais forte (chapa 14) e literamente
construiu uma nova carroceria. Acompanhando o aumento do tamanho
do chassi, a carroceria ficou mais larga, aumentando o espaço
interno e ganhando uma nova grade dianteira com onze buracos.
Luís, que faz questão de salientar que foi ele
quem fez tudo no Tuiuiú, também aproveitou para
fazer uma carroceria bem mais rígida colocando vários
reforços e 22 calços (o CJ-3 original tem apenas
nove).
O Tuiuiú "andando sozinho" já é
um espetáculo mas, olhando de perto, pode-se ver todo
o trabalho de reconstrução de um Willys 54. Feito
com perfeição e pensado em cada detalhe, o Jeep
Tuiuiú impressiona em todos os quesitos.
Ficha técnica do Tuiuiú
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