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Patrulha da Praia: pioneirismo no litoral brasileiro com os
'Dune Buggies'
Você
já pensou como surgiram as 'gaiolas' e buggies no Brasil?
O que você vai ver abaixo é história pura:
o relato de nosso leitor Ângelo Lima, que descreve a emoção
que o contagiou, na década de 60, e que corre em suas
veias até hoje.
Saudações.
Sou o leitor assíduo Ângelo Lima, morador de Arraial
do Cabo, no Rio de Janeiro. Não busco quaisquer lauréis
ou reconhecimento mas foi assim que aconteceu, visto por meus
olhos que agora equipam um adolescente de 60 anos.
Morava
eu nos EUA, cerca 1967, quando era um comportado aluno do high
school que no almoço tomava leite gelado com a comida,
enquanto meu pai exercia posição no Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID). Parei e fissurei logo ao chegar nos
'Dune Buggies' dos californianos e seus modelos únicos
de fibra de vidro. No Brasil nem se falava nisto e o Fusca reinava
absoluto, junto com o Karman-Ghia e Gordini.
Pois bem, comecei a juntar dinheiro para comprar uma destas
carrocerias feitas na Califórnia. Queria a do Mayer-Manx,
mas a grana era alta e optei por uma linda que parecia um puma
encorpado e a pintura metalizada laranja que me custou mais
U$ 120,00. No total morri em 700 dolares que consegui trabalhando
em um restaurante chic na minha cidade. Me lembro bem que ia
contabilizando as horas para que a grana chegasse, pois meu
pai era contra e fez jogo duro (mas disse que levava na bagagem
de navio). Quando fiz a conta, no tempo certinho fui la bati
o cartão de ponto, disse ao gerente goodbye no meio do
expediente e fuiiii...
Pois é, aí o caminhão do correio trouxe
em meio a neve das ruas de um inverno, aquele engradado lindo
com um troço cintilante dentro. O Primeiro Buggy do Brasil.
Um ano depois já de volta ao Brasil e morando em Niterói
mergulhei fundo na montagem, em uma oficina da cidade.Tudo era
improviso e novo pois não havia modelo igual.

Montei aquela carrocerria linda que você pode ver à
direita da foto do Primeiro Cross-Contry de Itauna-Saquarema
a Praia Grande-Arraial do Cabo. Uma porrada: 50 km de terra
de malboro com uma faixa de areia continua e muito, muito fofa.
Na foto os companheiros Penho(Carlos Eduardo - Itauna-Saqua),
Rodrigo - o suicida e Patinha, com os primeiros bugres brasileiros,
cópia dos 'gringos', fabricados na avenida Itaoca, Bonsucesso.
Só quem tinha pneus largos de alta flutuação
era aqui o degas pois. A rapaziada da Patrulha da Praia tinha
que soldar dois aros com pneu biscoito e funcionava muito bem.
Foi assim que na primeira vez, em 1972, levamos dois dias para
fazer esta travessia, acampando na praia. Esta magnífica
e paradisíaca faixa de areia fofa bem no meio do Atlântico
levando a ponta Arraial do Cabo. Os mergulhos freqüentes
em águas limpas e transparentes a camaradagem e o vinho
temperaram esta real aventura e, nem se falava nisto, a careta
tinha um toca fitas e headphones imensos KOSS.

Sempre fui fissurado por off-road, principalmente 'dune buggies'.
Sim, este é o nome certo. E esta máquina foi feita
para andar na areia. No início dos setenta formei em
Cabo frio, aonde morei inicialmente, um grupo de amigos, todos
de buggies com PX e fazíamos grandes aventuras nas virgens
dunas do Peró e Cabo Frio, e assim progrediu a Patrulha
da Praia. Para
mim as dunas oferecem um ambiente mágico e único,
de solidão e compreensão de nosso mundo.
A uns 20 anos comprei um RV-Duna, feito pelo Paulo Rabe em Belo
Horizonte. Foram os primeiros, cópias fiéis dos
Chenowths californianos, pois o maluco foi lá e consegui
os gabaritos. Estes tubulares são primorosos. Balanceados
para pular sem nenhum vício, caem sempre bonito. As soldas
tipo 'MIG' garantem a meu 'Sand Rig' ou 'Aranha' - ate hoje
este biplace clássico que já ganhou todas as primeiras
BAJA 500 no méxico - peso total com tanque cheio 500
kg. O nome de barco de areia se aplica, pois anda suavezito
sem forçar o motor 1.600 mecânica de Brasília.
Não esqueça que quando em Arraial do Cabo, chame
a Patrulha da Praia no canal PX-30.
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