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Jeep Universal - parte 3
O
que você vai ler a seguir é o teste do Jeep Universal
(Willys Overland do Brasil), publicado na revista Quatro Rodas,
em sua edição de janeiro de 1.964. O texto original
foi dividido em três partes e transcrito literalmente.
As imagens que acompanham a matéria também são
as originais, publicadas na revista. Nesta edição,
você fica com a terceira parte do teste; a primeira
e a segunda já estão no ar (ver índice).
Teste Dinâmico
CONDIÇÕES DO TESTE:
Odômetro inicial: 1.642 km
Local: Rodovia Presidente Dutra
Pista: Asfalto seco, piso normal
Temperatura ambiente: Média de 26ºC
Pressão atmosférica local: Média 709
mm de hg
Umidade relativa do ar: 61%
Intensidade e direção do vento: Moderada, 30º
em relação ao eixo da pista
Combustível empregado: Gasolina comum, de 72 octanas
Pressão dos pneumáticos: 22 psi em todos
DIRIGIBILIDADE
As dimensões reduzidas, transmissão, direção
e freios são elementos positivos do Jeep Universal,
cujo manuseio se mostra relativamente fácil. A suspensão,
embora tenha de ser do tipo reforçado, apresenta-se
dura, devido aos feixes de molas volumosos e com pouca flexibilidade.
A conjugação molas-amortecedores poderia ter
resultados mais suaves. Em tráfego urbano, desempenha-se
bem e, na estrada, em qualquer terreno, evolui satisfatoriamente.
Estabilidade boa, uma vez respeitados os limites de segurança.
A direção, devido à sua robustez, necessária,
aliás, não é das mais leves. O que mais
impressiona é o ronco da transmissão, que aumenta
assustadoramente com a velocidade. Observa-se que o motor
BF-161 é, na realidade, excessivo para esta viatura:
potência há de sobra. Instrumentos do painel:
uso incômodo, pois o volante dificulta a leitura. Passagens
de vau, até, aproximadamente, 50 cm não apresentam
qualquer dificuldade para o Jeep. Mas, é necessário,
depois, trocar o óleo da caixa de mudanças e
da transmissão múltipla, onde a água
penetra.
A robustez da suspensão e a dureza da direção
limitam um pouco a flexibilidade do veículo. Nas curvas,
o índice de comportamento é bom, exigindo, contudo,
um pouco mais de esforço na direção.
Viajando em marcha acelerada, devem-se observar com cuidado
as reservas de segurança para a ultrapassagem: as alterações
bruscas de direção, devido, principalmente,
ao fato da suspensão permitir um "bamboleio",
podem, ocasionar o descontrole do veículo.
O Jeep, com sua caixa de transmissão múltipla
e sua eventual tração no eixo dianteiro, dispõe
de considerável capacidade para serviços pesados
e em condições difíceis. Quando a força
é requisitada, conduz-se de maneira excepcional. O
guincho permite empregos dos mais variados, como desatolar
veículos, arrastar toros de madeira, colocar máquinas
pesadas em determinadas posições etc. Sua eficiência
é comprovada, com capacidade de tração
no cabo de 3.550 kg, e o reboque que pode ser atrelado ao
Jeep possibilita o transporte de até 750 kg.
A velocidade de cruzeiro nas estradas pode ser conservada
em torno de 70 km/h. O Jeep é uma ferramenta de trabalho:
suas maiores virtudes se evidenciam em trabalhos difíceis
e inusitados.
SUBIDA DE SERRA
Há sobra de motor, isto é, sua reserva de potência
é elevada, pois só a 3ª marcha foi utilizada.
VAZAMENTOS
Após emprego normal, foram notados vazamentos, decorridas
12 horas de estacionamento em piso plano. Estes vazamentos
originaram-se nos diferenciais, caixa de mudanças,
transmissão múltipla e motor, conforme se pode
observar pela posição relativa (a escala das
manchas é verdadeira). Embora impressione à
primeira vista, não se trata de vazamentos desproporcionais.
Vários deles, senão a sua totalidade, podem
ser sanados. Valem, não obstante, como sinal de alerta.
Maiores cuidados de fabricação poderiam, certamente,
superar este aspecto negativo. No setor de resfriamento a
água, não foram observados vazamentos, exceto
os normais. A gacheta da bomba d'água, contudo, mostrou-se
deficiente e teve que ser substituída antes dos 1.500
km rodados. Acreditamos ter havido uma deficiência eventual,
que normalmente não deve ocorrer.
COMPORTAMENTO EM CURVAS
Este teste, que visa determinar o limite de aderência
na execução de curvas, é executado em
terreno plano, piso cimentado, num círculo de 25 metros
de diâmetro. Fizemos rodar a viatura 10 percursos em
cada sentido, tirando daí a média. A velocidade
obtida indica o limite a partir do qual se verifica o fenômeno
de afastamento (over-steer). Quando da prova para a direita,
faltou abastecimento de gasolina, devido à força
centrífuga. Estávamos abastecidos a menos de
meio tanque, com tomada de gasolina no reservatório
à direita. É uma deficiência técnica
do tanque de gasolina.
Tempo médio mínimo: 10,8 seg. - 26,2 km/h -
Bom.
COMPORTAMENTO
EM ULTRAPASSAGEM
Para avaliação das possibilidades do veículo
em ultrapassagens, levantamos este índice, que compreende
um deslocamento com quatro alterações de direção
numa mesma seqüência, todas feitas em marcha direta,
ou menos reduzida. Observamos em experiências sucessivas
qual a velocidade que pode ser executada. o número
de percursos realizados é de 10 e o tempo apurado é
médio. O toque em qualquer dos marcos de borracha,
durante o percurso, invalida-o.
Tempo médio mínimo: 7,2 seg. - 60 km/h - Razoável.
COMPORTAMENTO EM MANOBRAS
Este índice marca a maior ou menor facilidade proporcionada
pelo veículo em manobras. Envolve, principalmente,
direção e suspensão. É executado
em terreno plano (conforme o gráfico). O tempo é
médio, obtido em 10 percursos para cada lado. O toque
em qualquer dos marcos invalida o percurso.
Tempo médio mínimo: 16,8 seg. - 21,5 km/h -
Razoável.
DIÂMETROS MÍNIMOS DE CURVA
Obtivemos os seguintes dados: 11,91 à direita e 11,65
à esquerda. Verificou-se ligeira assimetria, da ordem
de 1/8 de volta, no número de voltas do volante, quando
deslocado para a direita e para a esquerda. De batente a batente,
há 3 7/8 voltas. O diâmetro médio do volante
é de 42,7 cm. Levando-se em conta o comprimento total
do veículo - 3,34m - e o valor médio dos diâmetros
mínimos - 11,78 -, obtem-se o índice 0,284,
muito bom.
ACELERAÇÃO
A caixa de mudanças do Jeep tem as mesmas reduções
da do Aero-Willys, porém a redução do
seu diferencial é maior. As marcas de 16,2 seg. para
os 250 metros, atingindo a velocidade de 90 km/h, representa
uma muito boa marca. 42,2 seg. para o quilômetro de
arrancada coloca-o em excelente posição quanto
à aceleração. Sua construção
com reduções ponderáveis na transmissão
se reflete nos resultados deste teste. A embreagem resistiu
bem, sendo sua queda de rendimento, durante o uso contínuo
e severo, desprezível. A diferença de 3,2 seg.,
na aceleração em 3ª, encontrada nos valores
obtidos de 60 para 80 km/h e 80 para 100 km/h, reflete que,
para um crescimento de 20 km/h, foi necessário um aumento
no tempo de quase 50%. Isto se deve, essencialmente, à
sua inércia, às características do motor
e à resistência oposta pelo ar.

FREIOS
Os freios do Jeep são de ótima qualidade. Os
resultados obtidos (gráficos) traduzem bem a performance.
Nenhuma variação palpável no seu rendimento,
mesmo em regime de trabalho forçado, foi anotada. Vale
assinalar que a rigidez da suspensão do veículo
contribui com grande parcela para os resultados obtidos. A
área útil de freagem do Jeep é de 1,142
cm. A relação entre esta área e o peso,
em ordem de marcha, fornece um índice de 0,886 cm²/kg,
considerado muito bom. O freio de estacionamento cumpre sua
finalidade, mas, se tivesse sua direção de acionamento
mais inclinada, em relação ao assoalho, poderia
ser acionado com menos esforço. A 60 km/h, o Jeep pára
numa distância de 19,2 m e em 2,6 segundos.

VELOCIDADES
A máxima real alcançada pelo Jeep testado foi
de 118 km/h. As faixas de utilização:em 1ª,
atè 20 km/h; em 2ª, de 20 a 40 km/h e, em 3ª,
a registrada acima. A velocidade máxima não
deve ser alcançada, por medida de segurança.
VELOCÍMETRO E ODÔMETRO
São de boa qualidade o velocímetro e o odômetro.
O primeiro, na faixa de utilização, manteve
seu erro percentual máximo em 6,4%. Em velocidades
baixas, a leitura é deficiente, devido a trepidações
excessivas. Essa deficiência, no caso particular do
Jeep, é ainda mais agravada pelo fato de que, no uso
do veículo em reduzida, com tração nas
4 rodas, a velocidade máxima é de 40 km/h. A
calibragem dos instrumentos, na viatura, é considerada
correta. Verifica-se a inversão dos sinais de seus
erros nas proximidades dos 40 km/h. Na faixa de rodagem de
maior emprego, 30 a 80 km/h, o erro se mantém abaixo
de 5,5%.
O odômetro não ultrapassou o erro de 2.925 km/100
km. A diferença é razoável: atinge quase
3%. Bons instrumentos.
SUPREMACIA
DE RAMPAS
O Jeep galga, praticamente, qualquer rampa, pois a sua 1ª
marcha reduzida admite um acesso de 70,5%. Em rampa de 52%,
a maior conseguida, o Jeep, com carga total, fez a subida
com controle perfeito: mostrou-se apto a enfrentar qualquer
situação. Não há restrições
a fazer.
O gráfico ilustra os limites de acesso levantados nas
provas. É interessante observar as posições
relativas de possibilidade.
CONSUMO
Como utilitário, o Jeep não poderia ter ponto
alto na economia de combustível: a baixas velocidades,
principalmente, seu consumo é ponderável: os
resultados apresentam marcas em torno de 3 km/l. No tráfego
urbano, a melhor marca registrada foi 3,6 km/l. Nas estradas,
pode atingir 5,5 km/l em velocidade de cruzeiro. O gráfico
apenas indica as marchas da caixa de mudanças sem o
emprego da reduzida e do diferencial dianteiro. Melhor resultado
registrado: 6,2 km/l. Quando com a reduzida e tração
nas 4 rodas, o consumo aumenta: em 1ª, de 60% (de 3,3
km/l para 1,3 km/l); em 2ª, de 57% (de 5,5km/l para 2,35
km/l) e em 3ª da ordem de 48%. Para um utilitário
de sua versatilidade, o consumo é razoável.
CONCLUSÃO
O Jeep Universal é um utilitário de grande versatilidade.
Robustez: de acordo com a finalidade do veículo, admitindo,
contudo, revisão em alguns pontos. Direção,
freios e suspensão: coerentes com o tipo de veículo,
boa qualidade. Acabamento: rústico, exceção
da pintura da carroçaria. Motor: potente, com sobra
excessiva. Visibilidade: boa. Comodidade: aceitável.
Conforto: insuficiente, devido a vibrações e
ruídos excessivos. Utilização: como rural,
excelente; como veículo urbano, só a título
precário.
Fonte: Revista Quatro Rodas, edição de janeiro
de 1.964.
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