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Jeep Universal - parte 1
O
que você vai ler a seguir é teste do Jeep Universal
(Willys Overland do Brasil), publicado na revista Quatro Rodas,
em sua edição de janeiro de 1.964. O texto original
foi dividido em três partes e transcrito literalmente.
As fotos que acompanham a matéria também são
as originais, publicadas na revista. Nesta edição,
você fica com a primeira parte do teste; o restante
será publicado nos próximos meses. Fique de
olho!
Um veículo lépido, ágil,
pequeno, com capacidade de, pelos seus próprios meios,
safar-se de situações difíceis e, ademais,
com pot6encia suficiente para arrastar um canhão antitanque
até mesmo através de um lamaçal - isto
era o que requisitavam as autoridades militares aliadas, em
1.940, para fazer frente ao moderníssimo exército
alemão, com suas devastadoras operações.
Não havia muito tempo a perder e o engenheiro de máquinas
Karl Knight Probst meteu mãos à obra. Em oito
dias, desenhou um veículo. Em 35, tinha apresentado
a organização completa de linhas de fabricação
e de montagem do novo carrinho militar. E, não obstante
esta formidável arma tática de que se poderiam
valer, a partir daí, os exércitos aliados, ela
não foi sequer testada: um verdadeiro milagre mecânico.
Um milagre que escreveria epopéias nos campos de batalha.
E seu nome? Bem, tratava-se de um pequeno carro para "general
purpose" (serviços gerais). Das iniciais desta
expressão, g (dgi) e p (pi), tirou-se
a pronúncia. Assim, nasceu o Jeep. Para ele,
contudo, não se reservavam apenas façanhas guerreiras.
Também na paz lhe haviam destinado importantes funções
no campo, no âmbito das fábricas, no comércio.
Em 1.957, a Willys Overland do Brasil lançou-o no País
a sua produção alcançou 101.810 unidades
aquele ano, até setembro. Daí para cá,
várias modificações já foram introduzidas
nele, visando adaptá-lo a condições locais
de trabalho.
ESTÉTICA
Por ser o Jeep um veículo utilitário,
sua estética é posta num plano secundário.
Mesmo assim, suas antigas linhas retas e arestas, transformadas
com arredondamentos oportunos e bem localizados, emprestam-lhe
aparência relativamente agradável. A grade dianteira,
simples e conservadora, é emoldurada pelas curvas do
pára-lamas e capuz. O pára-choque, a mesma viga
em "U" dos modelos anteriores, destoa do conjunto.
Enquanto a visão frontal é favorável,
lateralmente tem-se o apanhado convencional a que já
estamos habituados; apenas a roda sobressalente, montada ao
lado, afeta a simetria. Sua aparência geral melhora
consideravelmente, quando usado sem capota, com ou sem o rebatimento
do pára-brisa. Embora sendo um veículo utilitário,
melhoramentos de pequeno vulto poderiam tornar mais harmônicas
suas linhas
UTILIZAÇÃO
Deslocando-se praticamente em qualquer terreno, o Jeep vence
com certa facilidade atoleiros e lamaçais, quando se
utiliza sua marcha reduzida. Suas características permitem-lhe,
assim, o acesso a locais que normalmente não podem
ser atingidos por veículos comuns. Em tarefas de campo
que requeiram transportes rápidos, em situações
difíceis, seu rendimento pode ser considerado ótimo,
especificamente com relação a cargas leves,
como forragens, sacas de mantimentos e cereais, instrumentos
e ferramentas. A título precário - e em pequenos
percursos - pode conduzir até oito pessoas. Seu rendimento,
no campo ou na cidade, em tarefas a que se destina a viatura,
pode ser considerado bom, em média.
ACABAMENTO
Para um veículo de sua categoria, o acabamento do Jeep
Universal pode ser considerado bom. A simplicidade notada
em todos os seus detalhes era de esperar; mas os componentes
buscam atingir seus objetivos, sem montagens que requeiram
maiores custos. Algumas partes, no entanto, poderiam ser melhor
cuidadas, evitando-se, assim, o desgaste prematuro, principalmente
nos bancos. A pintura é de boa qualidade e resiste
bem. Contudo, a tinta preta empregada não consegue
evitar a ferrugem. É fraca a ligação
da ferragem das janelas com o arco de armação
da capota: parte-se nas soldas. A cortina traseira, cuja parte
inferior se prende, por dois grampos, à porta, não
oferece segurança: com pouco uso, começa a se
soltar. Além disso, a mola que provoca o enrolamento
da janela não tem suficiente robustez e esta, ficando
a meio caminho, prejudica a visão do motorista. Incômodo
o fechamento das janelas, principalmente quando se tenta fazer
isto pelo lado se dentro.
MOTORISTA
A posição do motorista é
cômoda, embora a robustez do veículo faça-o,
quando sem carga, pular muito. Esta circunstância, não
obstante, não interfere no bom desempenho do carro,
nem cria dificuldades à direção. Um senão:
a ausência do apoio lateral que existia nos modelos
mais antigos e na versão militar concorre para a instabilidade
do condutor. Em serviços pesados, a direção
endurece ligeiramente. Quanto ao pomo da alavanca de mudanças,
encaixa comodamente na palma da mão. Há uma
interferência do volante na visão do velocímetro.
A sinalização de direção não
existe. Nem o espelho retrovisor interno, de que carece. O
externo permite as visadas pela lateral esquerda do veículo
e a entrada de ar para ventilação dos pés,
no banco dianteiro, apresenta problemas mecânicos, que
não fechando completamente, quer sofrendo torções
laterais.
CAPACIDADE DE TRANSPORTE
Cinco passageiros, sendo três no banco dianteiro e dois
no traseiro, esta a capacidade de transporte do Jeep Universal
em condições normais. As alavancas de comando
causam certo incômodo ao passageiro que ocupa a posição
central do banco dianteiro. A acessibilidade aos assentos
é razoável: há bom rebatimento do banco
e um estribo auxiliar. A capacidade de carga é aferida
pelas cubagens parciais de 240 dm 3 referente ao vão
até o nível doas pára-lamas, quando retirado
o banco traseiro, e a máxima fica em torno de 760 dm
3. A capota de plástico limita a altura da carga; sem
a capota, a retirada, ou tomada de carga é consideravelmente
facilitada. Recomenda-se que, para evitar-se deformação
na armação, ou rompimento nas costuras, seja
seguida a seqüência correta para montagem e desmontagem
da capota, cujo material é de excelente qualidade.
MANUTENÇÃO
Observadas as especificações indicadas pelo
fabricante, nenhuma dificuldade pode ser encontrada na manutenção,
que se reveste de simplicidade. Raramente pode causar certa
preocupação um vazamento de óleo (SAE
30, devendo ser trocado a cada 1.500 km, exceto em locais
de muita poeira: aí, a troca se recomenda com antecipação).
Dependendo do tipo de serviço, convém observar
as variantes do SAE 30: MS - serviço pesado; MM - serviço
de moderado a severo; MIL - serviço leve. Na caixa
de mudanças e de transmissão múltipla
deve-se usar óleo SAE 90, para engrenagens. O hipoidal
para engrenagens SAE 90 EP lubrifica os diferenciais. A caixa
de direção emprega o óleo para engrenagens
SAE 140.
A limpeza do filtro de ar acompanha os períodos de
mudança do óleo, mas pode se tornar até
diária, se assim o exigir a natureza do trabalho. Uma
vez por ano deve-se desmontar o carter do motor para lavá-lo,
juntamente com o filtro da bomba de óleo.

ABASTECIMENTO
O abastecimento de gasolina é feito pelo lado esquerdo,
junto ao motorista. O tanque de gasolina tem capacidade para
cerca de 30 litros, oferecendo autonomia aproximada de 230
km.. Esta capacidade poderia ser ampliada: a freqüência
com que se é obrigado a abastecer é maçante.
Em tráfego urbano, a autonomia cai praticamente para
a metade. O tampão de entrada do tanque, situado do
lado externo, dispõe de chave.
A tomada de água exige apenas o cuidado de afrouxar
a tampa, até que a pressão caia de 7 lb/in2
ao nível da pressão atmosférica, antes
de abri-la completamente. De preferência, a água
deve ser colocada com o motor em funcionamento.
Em todos os pneus a pressão recomendada é de
22 psi sem carga e 26 psi com carga máxima, respectivamente.
Baterias: sob o capuz do motor, em local de fácil acesso.
Capacidades: reservatório de gasolina, 39,75 litros;
água, 10,4 litros (2,75 galões); motor e filtro
de óleo, 5, 676 litros.
Fonte: Revista Quatro Rodas, edição de janeiro
de 1.964.
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