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Expedição BR163: explorando o interior do país
Texto e Fotos: Evandro Carobrezzi

Dia 17 de Julho. Estávamos agora em Bonito, madrugamos as 7h00 para a vista na Gruta do Lago Azul, o melhor horário nesta época fica entre 8h00 e 9h00, e conseguimos justamente este. Em 1978 a gruta foi inscrita no livro do tombo arqueológico, etnográfico e paisagístico pelo IPHAN. A administração dos arredores da gruta pertence ao município de Bonito, a região da gruta ao estado e a gruta à federação. Com isso, a burocracia impera no local, existem muitas melhorias que deveriam ser feitas no acesso mas a gruta tem muitos "donos" e no final ninguém faz nada. Porém, a gruta é um show de imagem, foi descoberta em 1924. O lago, extremamente azul, com 56 metros de profundidade e 120 metros de largura, com inúmeras estalactites impressiona pelo tamanho e pela beleza, ela é o cartão postal de Bonito.

Seguimos então para o aquário natural, fizemos o passeio das 12h00. Chegamos às 10h00 e ficamos curtindo as piscinas do local, uma natural e outra aquecida, tipo jacuzi. Existe um deck de madeira e vários quiosques pois o sol aqui é intenso. O mergulho é feito no rio Bahia Bonita, com extensão de 900 metros em águas cristalinas, consideradas uma das mais transparentes do mundo, com muitos peixes e uma vegetação exuberante no fundo do rio, dizem que este rio tem. A formação é calcária e dá també um tom azulado, existem váias espécies de peixes, mas os predominantes são dourado e piraputanga. O passeio inicia-se num trilha de 500 metros por uma passarela de madeira entre a mata onde a guia Fernanda ia contando a história do local e curiosidades de bonito. Depois caimos na água na nascente do rio, onde encontra-se a maior concentração de peixes. No final do mergulho um bote nos espera, é opcional a travessia do rio formoso, de bote ou a nado. Escolhemos continuar no snorkel pois o rio Formoso tem um volume muito maior de água, apesar de não ser tão cristalina. No final existe ainda uma tirolesa e uma cama elástica flutuando. De lá fomos direto para o almoço, servido no local, comida da fazenda.

A estrutura de turismo em Bonito é realmente invejável. Tudo funciona, as agências são muito eficientes, as atrações turísticas tem infraestrutura com guias, quiosques, restaurantes, todos os acessos são calçados, existem até carros elétricos que trazem os turistas do passeio à gruta São Miguel.

Hoje logo pela manhã fizemos o mergulho no rio Sucuri, considerado também um dos rios de águas mais limpa do mundo. Novamente o ritual de colocar roupas, preparar as máscaras e uma caminhada até a nascente pela mata. No caminho o guia leva um pouco de milho e serve aos macaquinhos pelo caminho, a Lisandra até conseguiu alimentar um deles. A nascente tem águas azuis e o fundo é branco, a sensação é de estar num aquário. O mergulho inicia-se alguns metros abaixo da nascente para preservá-la, desde o início do mergulho os cardumes nos acompanham, pois o guia vai por barco e as vezes joga alimento aos peixes. Vimos piraputanga, dourado, matogrosso, alguns carangueijos, caramujos, cascudinho e muita vegetação submersa. A temperatura da água é de 24oC e o passeio tem duração de duas horas.

Voltamos para a cidade para tentar um novo passeio, pois tínhamos a tarde livre. Escolhemos a Gruta de São Miguel e mais uma vez a Roberta da Tamanduá foi extremamente eficiente, pois decidimos fazer o passeio de última hora e ela agendou facilmente as entradas. Logo na chegada fomos recepcionados por cinco araras, os pássaros ficam em árvores ao redor da sede. O passeio inicia-se com um vídeo sobre a caverna e algumas informações dadas pelos guias, e por coincidência era o "Mano" o mesmo que nos guiou na Gruta do Lago Azul. Logo no início existe uma ponte suspensa de 180 metros que da acesso à entrada da caverna. O caminho interno tem extensão de 260 metros por entre estalactites, estalagmites e colunas. Existem ainda alguns salões totalmente escuros somente acessíveis para pesquisadores. Os coralóides de calcário dão um show a parte, são formações de calcário em forma de "couveflor". Uma outra curiosidade são as pérolas que se formam dentro de poças de água por agrupamente de calcário.

Dia de trilha, acordamos bem cedo, todo o equipamento, guincho, ensipull, cintas, manilhas, etc, já verificados no dia anterior. Fomos, em companhia do Luciano, até a sede da fazenda do Serra Aventura.De lá deixamos a Defender 110 do Serra na sede e seguimos somente com o meu carro. Iniciamos a trilha do morro do careca, uma rampa de salto de paraglider. Tomamos uma trilha paralela à utilizada para subida, esse caminho tinha muitas erosões mas passamos sem maiores dificuldades.

Chegamos ao morro do Careca ainda pela manhã, de lá é possível avistar toda a fazenda. Ficamos curtindo o visual por alguns minutos. De lá fomos a segunda sede da fazenda encontrar o Wanderley que seria nosso guia para a trilha da boiadeira. A boiadeira é uma estrada que liga Bonito à Porto Murtinho, porém nela só passam as comitivas de gado, até então nenhum veículo havia cruzado esta estrada. Logo no início encontramos o Bruno, com um trator arrumando a ponte para passagem de seu gado estava por vir. A ponte não pareceia nada segura e ninguém sabia se aguentaria a Land, mas como havia um trator bem próximo resolvemos passar. Apesar de vários estalos tudo correu bem, passamos. 

Agora à frente estava a pior parte, um corixo, alagado pantanoso. Examinamos todas as possibilidades, a mais tranquila seria a ponte de madeira, mas a intenção era atravessar por dentro do corixo. Tomamos então a decisão de seguir pelo lado direito, o que deveria ser a opção menos rium. Como havia uma probabilidade muito pequena de passar sem atolar e nos arredores não havia nenhuma árvore ou ponto de ancoragem, já deixamos a Ensipull à mão, posicionada à frente na outra margem do corixo. Desci o barranco e posicionei a Land, reduzida e bloqueada, pé no fundo e segunda marcha, os primeiros 20 metros foram bem, mas no final o "charco" estava muito fundo e faltou velocidade, caberia ali uma terceira marcha, como resultado ficamos atolados à apenas 10 metros do final. Soltamos o cabo do guincho Ensimec e conectamos à Ensipull também da Ensimec. Tudo pronto, a ancora de solo já estava firme e oferecendo apoio ao guincho, quando aparece a comitiva, mais de 100 bois sendo levados à fazenda do Bruno.

Tivemos de parar com tudo, pois é perigoso ficar no caminho da boiada. Claro que quando os bois viram a ancora de solo e a Land resolveram empacar e retornar, dando um enorme trabalho aos peões. Ficamos ali por mais de 30 minutos aguardando o empasse, finalmente os bois resolveram passar, porém um único conseguiu escapar e voltou, foi preciso laça-lo e mais três peões para tentar convencê-la a atravessar à frente do carro. Mais 30 minutos de batalha e os peões venceram.

Saimos com bastante facilidade, mas vale lembrar aqui que toda tranquilidade nesta situação deve-se à Ensipull, que oferece ancoragem em qualquer tipo de solo, se não tivessemos este equipamento à mão, talvez seria necessário a vinda do trator, pois não havia sequer uma árvore ao redor.

De lá o caminho seria por entre erosões e pedras, sempre tomamos o pior caminho.  Existem um trecho da estrada onde existem várias pedras e muitas erosões, mas com os pneus 33" tudo foi bem tranquilo. A cada pedra ou erosão que passávamos todos desciam do carro para uma foto. Assim completamos 30 quilômetros de boiadeira. Ficou o gostinho de quero mais, durante o almoço a assunto foi uma nova trilha, agora completando a boiadeira inteira, 150 quilômetros porém na época da chuva, mas isso ficará para a próxima viagem à Bonito, pois o local merece bis.

Voltamos à cidade com a sensação de dever cumprido. Fomos jantar novamente com o Luciano, sua namorada Daniele e seu amigo, também Luciano. O clima de fim de férias já começa a aparecer, esse é nosso último dia aqui em Bonito. Chegamos ao Rio do Peixe às 9h30 e adivinhem quem era o guia, novamente o Mano. Reunimos um grupo e iniciamos a trilha. A primeira parada foi na cachoeira Sumida, pois ela só aparece na época da chuva quando o rio da Olaria sobe o nível.

De lá fomos a Cachoeira Pata de Elefante, esse nome deve-se ao formato da rocha da cachoeira. Fizemos uma breve parada mas ninguém se abilitou a um banho. Seguimos para a Cachoeira do Poço e para o poço encantado. Como o terreno é extremamente rico em calcário, a cachoeira vai tomando formas diferentes com o passar dos anos, a pedra original já nem aparece.

Voltamos então para a sede onde o almoço, no fogão de lenha, já estava servido. Após o almoço o Sr. Moacir chama as araras e dá seu show com os bichos, a arara mais assanhada é a capitu até beijo de lingua rola entre ela o Moacir. A Lisandra, num ato heróico, pediu para tirar uma foto com uma delas e sem pestanejar o Moacir passou a Capitu para o braço da Lisandra.

O próximo show foi dado pelos macacos que pegavam os pedaços de mamão que o Moacir deixou no chão. Existe até um redódromo, uma cabana com inúmeras redes de couro para uma soneca após o almoço. Infelizmente não foi possível ver os tucanos pois eles estão no período de acasalamento e só saem do ninho pela manhã. Essa foi nossa última parada antes de partir.

Na bagagem de volta, muita saudades, muitos amigos que esperamos rever um dia, muita informação nova, excelentes recordações dos lugarem por onde passamos e a certeza que viajar é a melhor parte da vida.

Não podíamos deixar de citar todas as pessoas que ajudam a escrever as páginas de nossa história

Paulo Rogério: nosso companheiro na Chapada dos Guimarães. Casado com um índia, tem um atelier onde faz mosaico e combina espelhos com a vegetação da Chapada, utilizando folhas secas e Buriti como moldura de seus quadros. Pessoa simples, abandonou Campo Grande para viver junto à natureza na Chapada, sua paixão pelo local fez com que aprendessemos que a Chapada tem o poder de conquistar e transformar as pessoas.

Everaldo Barros: Consultor da secretaria de turismo de Nobres, um profundo conhecedor do local e apaixonado pela sua cidade, sabe tudo sobre a região e quando fala sobre os atrativos enche-se de orgulho. Uma pessoa que acredita que Nobres na preservação e no turismo sustentável.

Dona Lola: Mãe de Everaldo, uma senhora de 76 que vive, por opção, numa fazenda onda nem energia elétrica chega, um exemplo de vida, com seu jeitinho especial demostrou-nos que o mais importante na vida é ser feliz.

André Thuronyi: Um ambientalista, uma pessoa que sempre acreditou em seus valores e fez com que o contato com a natureza interagisse no seu di-a-dia tornando-o um ser único e especial, por respeitar e amar tudo que faz. Sempre envolvido com vários projetos ao mesmo tempo, faz com que o trabalho e o prazer caminhem lado-a-lado, talvez esse seja o segredo do seu sucesso.

Helio Caldas, Helinho: Esse cara, como ele mesmo diz, deixou muitas saudades, seu jeito cativante, um verdadeiro exemplo de liberdade, ganha o mundo num piscar de olhos, vive intensamente cada minuto de sua vida, com muitas histórias já vividas e outros tantos planos de vida. Dedicado em tudo que faz, verdadeiro em tudo que diz. Seu desapego material é uma prova que desta vida só levamos as boas recordações e só deixamos ótimas lembranças. Helinho, esperamos nos encontrar mais vezes nas esquinas da vida. Valeu cara!!!

Luciano Penzo: Bah!, desde o primeiro contato, ainda que por telefone, nos identificamos. Um apaixonado por aventuras, mas com os dois pés no chão, responsável em tudo que faz e um verdadeiro menino quando o assunto é diversão. Nos acolheu desde o primeiro dia, fez sentir-nos especiais integrando-nos à sua rotina, passamos excelentes momentos, ao lado de sua namorada, a simpática Dani e de seu amigo, o bem humorado Luciano. Obrigado por tudo!!!

André Leite e Renato Henrique: da Landadventure, que foi responsável pela atualização do site enquanto estávamos na estrada. Mais uma vez a Landadventure mostrou-se uma excelente parceira para organização de expedições.


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