Expedição "Coração do Brasil"
chega ao fim depois de 70 mil quilômetros percorridos
Fotos: Orlando
Azevedo
Depois
de 14 meses na estrada, o fotógrafo Orlando Azevedo,
idealizador do projeto cultural Expedição "Coração
do Brasil", e o jornalista Fabiano Camargo retornam a Curitiba
e dão início à fase final do projeto. "Agora
vamos percorrer mais um longo caminho. Editar todo o riquíssimo
material coletado", disse Azevedo.
Uma grande exposição fotográfica itinerária
- com mais de 500 fotos em preto e branco e cor - já
está agendada. A mostra será inaugurada em outubro,
na Casa Andrade Muricy, na capital paranaense. Depois segue
para nove capitais do país, além de Portugal,
França e Espanha.
A expedição, que passou por mais de 1.725 localidades,
também vai render dois livros, um com os relatos e personagens
da viagem e outro de fotografia, dividido nos temas "Homem,
Terra" e Mito.
O
objetivo da dupla paranaense era de redescobrir e traduzir em
fotos e textos o patrimônio natural, cultural e humano
do país. "A maior distância por nós
percorrida não foram os milhares de quilômetros,
nem mesmo os extremos entre o Chuí e o Oipoque e as montanhas
de Roraima, e sim aquela distância invisível e
atroz que separa o povo brasileiro, digno e generoso, dos descaminhos
políticos e governamentais. O melhor do Brasil é
mesmo sua gente", disse Azevedo.
O projeto, dividido em duas etapas, começou em abril
de 1999 e terminou com o retorno a Curitiba. O percurso deu
prioridade à rotas alternativas Đ por isso o emprego
de um jipe Land Rover Defender 110, equipado para enfrentar
qualquer terreno. De todo o percurso, 60% foi realizado em estradas
de chão e trilhas.
"Fizemos
incursões por rios, longas jornadas caminhando e sobrevôos
em pequenas aeronaves. A primeira etapa foi realizada entre
abril de 1999 e maio de 2000, incluindo todo o sul do país,
parte do centro-oeste e norte. Depois de mais de um ano de interrupção
por falta de patrocínio, a segunda etapa foi iniciada
em janeiro de 2002 e concluída agora", contou Camargo.
Fizeram parte do roteiro, entre outros locais do país:
Região Norte
Pico da Neblina (ponto mais alto do país, no Amazonas,
com 3014 metros de altura), Monte Roraima (Roraima), Oiapoque
e Cabo Orange (Amapá), seringais da região de
Xapuri (Acre), Rio Madeira (Rondônia/Amazonas), Rio Amazonas
(de Manaus a Belém), Ilha do Marajó (Pará),
Jalapão (Tocantins), Vale do Rio Guaporé (Rondônia),
São Domingos do Capim (local onde ocorre a Pororoca,
no Pará).
Região Nordeste
Fernando
de Noronha, Caruaru e Porto de Galinhas (Pernambuco), Lençois
Maranhenses e Alcântara (Maranhão), Serra da Capivara
e Sete Cidades (Piauí), Juazeiro do Norte (Ceará),
Chapada Diamantina e Monte Santo (Bahia), Penedo, Praia do Francês
e Barra de São Miguel (Alagoas), Aracaju (Sergipe), além
de outros pontos pelo interior e litoral dos estados nordestinos.
Região Centro-Oeste
Pantanal Matogrossense (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Chapada
dos Veadeiros (Goiás), Bonito (Mato Grosso do Sul), Chapada
dos Parecis e Vila Bela da Santíssima Tridade (Mato Grosso).
Região Sudeste
Serras da Canastra e da Babilônia, Vale do Jequitinhonha,
Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Minas Gerais),
cidades históricas de Minas Gerais, interior de São
Paulo, Serra dos Órgãos (Rio de Janeiro).
Região Sul
Região
do pampa gaúcho e canyons de Fortaleza e Itaimbezinho
(RS), Serra do Rio do Rastro, Morro da Igreja e litoral catarinense,
Dentro do tema "Homem", foram documentadas festas
religiosas como o Padre Cícero (Juazeiro do Norte, Ceará),
rituais do Santo Daime (Rio Branco, Acre), Círio de Nazaré
(Belém, Pará), Paixão de Cristo em Anitápolis
(SC) e em São Gabriel da Cachoeira (AM), Vale do Amanhecer
(Planaltina), Festa do Divino em Pirenópolis (GO).
A saga dos trabalhadores anônimos brasileiros foi retratada
em atividades como a dos carvoeiros do Pará, a dos operários
do sisal na Bahia, pescadores em todo o litoral e também
na Amazônia; garimpeiros de Diamantina, Roraima e Amazonas;
boiadeiros do Pantanal e vaqueiros do nordeste; caminhoneiros
pelas estradas do país; catadores de lixo na periferia
de Macapá; seringueiros do Acre; jangadeiros do Ceará;
agricultores do Sul ao Norte.
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Números da Expedição
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70 mil quilômetros foram percorridos (60%
em estradas de terra e trilhas), em 425 dias de
viagem.
- Este percurso inclui: 3.300 km por rios, 7.600
km de sobrevôos em pequenas aeronaves e mais
de 300 km de caminhadas.
- 10 mil litros de óleo diesel foram consumidos.
- 1725 cidades e localidades foram percorridas.
- 45 mil imagens foram feitas pelo fotógrafo
Orlando Azevedo, entre os formatos 35mm, 6x6 e digital,
em cor e preto-e-branco.
- 400 entrevistas foram realizadas pelo jornalista
Fabiano Camargo.
- O site
oficial da Expedição, atualizado
durante a viagem, recebeu mais de 1000 fotos, 70
matérias e 425 textos diários.
- Os expedicionários passaram por 70 hotéis
e pousadas, além de terem montado 50 acampamentos.
- Número de pneus furados em toda a viagem:
7. |
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