Expedição ao Nordeste Brasileiro 2002
Texto e fotos:
Fabio Vernizi

"Depois de alguns meses de planejamento, iniciamos nossa
aventura no dia 06.02.2002 saindo de São Paulo pela rodovia
Fernão Dias. No início da noite chegamos a capital
mineira - Belo Horizonte - e continuamos nossa viagem pela BR-040
e depois seguimos em direção a Montes Claros.
Neste trecho a estrada estava muito esburacada e por ser madrugada,
resolvemos parar em Montes Claros onde dormimos. Na manhã
seguinte seguimos por mais um trecho com vários buracos
até a BR 116, de onde rumamos norte para Salvador. Ficamos
em Salvador passeando durante os dias principalmente pelas praias
ao Norte: Itapuã, Stella Maris, Flamengo e Buraquinho,
e às noites "pulando carnaval" atrás
do trio elétrico.
Na
quarta após o Carnaval, seguimos pela linha verde, margeando
o litoral norte baiano, passamos pela divisa com Sergipe, seguindo
até a BR101, onde andamos apenas poucos quilômetros.
Saimos em direção a Penedo/Neópolis onde
cruzamos, de balsa, o Rio São Francisco e rumamos em
direção ao mar, subindo bem próximo às
praias, até chegarmos em Maceió no início
da noite.
Na manhã de quinta-feira (14/02) seguimos norte, para
Ilha da Croa, onde após cruzar de balsa, ligamos o 4x4
reduzido pela primeira vez e baixamos a calibragem dos pneus.
Seguimos pela areia da praia até a praia do Carro Quebrado,
eleita pela Revista Quatro Rodas uma das mais belas do Brasil.
Pouco a frente desta praia havia um rio e tivemos que margeá-lo
pelas estradas dos canaviais, que devido as chuvas na última
noite, estavam bastante enlameadas. Quando encontramos uma ponte,
cruzamos o rio e voltamos ao litoral. Na maior parte do trajeto
nós andamos pela areia do mar e, onde não era
possível, andávamos pelas estradas à sua
margem. Neste trecho as estradas estão bastante danificadas
e andar pela areia era muito melhor. Cruzamos mais uma pequena
balsa e continuamos seguindo em direção a Maragogipe,
onde voltamos ao asfalto e seguimos para a Praia de Carneiros,
uma das mais belas desta região. Passamos
a tarde aproveitando esta região e no início da
noite seguimos até João Pessoa. Na manhã
seguinte seguimos pela BR101 até Canguaretama onde entramos
para Barra do Cunhau. Esta é a região com maior
concentração de fazendas de criação
de camarões. Cruzamos de balsa e seguimos para Baia Formosa,
por uma praia praticamente deserta. Andamos por algumas dunas
e voltamos até a balsa. Continuamos pela praia, cruzando
outra balsa até chegarmos na Praia de Pipa. Mais uma
pequena balsa a frente, que mais parecia uma prancha de madeira,
e quilômetros de praias lindas, com muito poucas pessoas
- quase desertas. Chegando em Pirangui do Sul, entramos para
a estrada de asfalto que margeia o mar, pois nesta região
é proibido trafegar na praia.
De Natal, seguimos para a Ilha de Fernando de Noronha, onde
caminhamos por todas as praias, fizemos snorkelling diversas
vezes, e pudemos até mergulhar com tartarugas muito grandes.
Uma grande aventura na ilha, além dos mergulhos autônomos,
e o passeio de planasub (prancha puxada por barco). Esta ilha
é excelente para quem deseja caminhar e descansar, todas
as praias são bem próximas e apesar de simples
a infraestrutura é muito boa.
Ao
voltarmos para Natal, fomos passar o dia na Barra do rio Punau,
onde andamos por muitas dunas e até encontramos um aventureiro
que tentou cruzar o rio de carro e acabou "bebendo muita água".
Fizemos até alguns passeios de buggy, para estar bem
integrados com a paisagem local.
No dia 25 iniciamos nosso retorno, saindo pelo litoral sul e
entrando na praia após Pirangui do Sul. Andamos pelos
areiões, cruzamos as duas balsas até a Praia de
Pipa e subimos para o chapadão, uma formação
de falésias bem próxima ao mar com uma coloração
vermelha escura. Passamos pela Praia dos Amores, que é
realmente linda, e seguimos pela areia até a Balsa de
Barra do Cunhau, onde passamos a noite, jantando o belo peixe
Meca com Camarão, uma imperdível especialidade
da região. Realmente uma dádiva dos deuses!!!
Logo de manhã do outro dia cruzamos o rio de balsa e
seguimos em direção a Baia Formosa. No meio do
caminho paramos para aproveitar a praia e nas quase duas horas
que ficamos por ali, ninguém mais passou - um paraíso
quase deserto. Continuamos pela praia até as piscinas
naturais e a Lagoa da Coca-cola. O acesso a esta lagoa é
muito estreito, por areiões e muitas árvores.
Demoramos um pouco pois como a Pajero é meio larga, tivemos
que cuidar muito para não ficar intalados ou atolados.
A lagoa tem realmente um mistério na cor de sua água,
que é bastante escura. Na saída também
fizemos várias aventuras para passar pelas árvores
e voltarmos a praia, de onde seguimos para Barra do Saji e ao
rio que divide os estados Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Tivemos
que aguardar a maré subir mais um pouco para o rapaz
desatolar a balsa e podermos cruzar, mas com isto a maré
já estava bastante alta e tivemos que acelerar forte
nas areias fofas por vários quilômetros até
chegarmos a mais um rio que desta vez não tinha balsa.
Subimos margeando este rio até encontrarmos uma ponte
e voltarmos ao litoral, chegando à Baia da Traição.
Continuamos pelas estradas do litoral e seguindo para Mamanguape,
onde visitamos o Projeto Peixe Boi Marinho do Ibama. Após
o por do sol, seguimos para João Pessoa através
da BR101.
Na manhã seguinte, descemos pelo litoral de João
Pessoa até Ponta do Seixas, o extremo oriental das Américas.
Neste trecho não é possível andar pela
praia, pois existem muitos riachos, então seguimos pela
nova estrada que margeia o litoral até a Praia do Sol
e Jacumé - uma praia muito linda. Seguimos por estradas
de terra até a Praia de Coqueirinho, uma enseada cercada
por recifes que formam quase que uma lagoa excelente para nadar.
Depois de aproveitar esta praia seguimos pela areia até
uma formação muito colorida de falésias
e chegamos à praia de Tambaba - local oficial para a
prática de naturismo. Percebemos que estávamos
chegando nesta praia, quando encontramos algumas pessoas "ao
natural". Tivemos que voltar um pouco pois não havia
nenhuma alternativa de desviarmos das pedras que existem ali.
Seguimos
pela estrada até a parte turística de Tambaba,
depois passamos por várias trilhas ecológicas
desta região, paramos em alguns mirantes realmente fantásticos
e descemos para a Praia Bela indo pelo areião até
a foz do rio. Continuamos pelas trilhas, passando por diversas
praias até chegarmos em Pitimbu, um pequeno vilarejo
de pescadores. Após o por do sol, seguimos para Recife
onde encontramos colegas da Jipenet que nos acompanharam até
o encontro dos Jipeiros de Recife - uma galera bastante simpática
e animada.
No dia seguinte seguimos para pequena praia de Calhetas, uma
enseada entre pedras e, depois passamos por Cabo de Santo Agostinho
e descemos em direção a Muro Alto. Como não
sabíamos, seguimos pela praia em direção
à Porto de Galinhas, mas logo fomos avisados pela policia
que nesta região é proibido andar na areia. Voltamos
às trilhas próximo ao mar e paramos em Porto de
Galinhas para passear pelas piscinas naturais. Existem diversas
formações e a quantidade de peixes é enorme.
Depois,
seguimos por trilhas de terra até a praia de Toquinho,
que possui uma ilha a pouco mais de 1 km mar adentro. Seguimos
até a Barra do Serinhaen onde apreciamos a forçoa
das ondas do mar, sobre a muralha de contenção
e curtimos o belo por do sol. Durante o anoitecer seguimos pelo
asfalto até Maceió, onde degustamos um belo peixe
assado.
Na manhã seguinte, seguimos direto para a Ponta do Peba,
onde entramos na praia e seguimos por mais de 30km até
a Foz do Rio São Francisco. Esta é uma bela região,
formada por dunas e encontro de águas bastantes tranquilas
do mar com o maior rio brasileiro. Este é, também,
a divisa dos estados Alagoas/Sergipe. Enquanto nadávamos
nas águas do rio caiu uma forte chuva, que foi a primeira
em nossa viagem durante o dia, mas como toda chuva de verão,
passou bem rápido. Tivemos que voltar a Ponta do Peba,
pois não tem como seguir margeando o Rio. Seguimos pelo
asfalto até Penedo, onde cruzamos de balsa para Neopolis
e depois seguimos direto para o início da Linha Verde,
na divisa de Sergipe com Bahia. Nosso objetivo era chegar até
Mangue Seco, mas a distância era longa e tínhamos
que acompanhar o horário das marés, pois o acesso
é somente pela praia há 30km a partir de Costa
Azul, e com a maré alta fica muito difícil andar
pela parte fofa das dunas. Chegamos em Costa Azul com a maré
bastante alta, faltando apenas 1 hora para a maior cheia, mas
resolvemos arriscar andando pela parte bem fofa da areia. Baixei
bastante a calibragem dos pneus. Tínhamos quase 30km
pela frente e logo nos primeiros metros já tivemos uma
idéia da dificuldade: olhando no retrovisor tínhamos
3 valetas marcadas na areia, duas dos pneus e outra do diferencial
que vinha arrastando. Não podíamos hesitar nenhum
minuto para não ficar atolado numa região que
não tem moradores e quase nenhum movimento. Felizmente
a Pajero foi valente, a força do motor V6 fez diferença
e conseguimos chegar em Mangue Seco, próximo do entardecer.
Nesta região de varias dunas, o por do sol é uma
maravilha a parte, uma das mais belas cenas que se pode imaginar.
Quando acordamos fomos aproveitar a praia e passear pela Foz
do Rio Real, a pouco mais de 2 km a norte de Mangue Seco. Este
rio é o marco da divisa entre Sergipe e Bahia. Quando
voltamos da foz, fomos fazer um grande passeio pelas dunas.
Esta é uma região fantástica para veículos
4x4 e ainda muito bem preservada. Seguimos até o vilarejo
Coqueiro, onde encontramos trilha nos areiões bastante
difícil, pois a areia continuava bastante fofa e tinha
várias valetas dos grandes tratores das fazendas de coco.
Tivemos que continuar acelerando forte o que nos fez "voar"
várias vezes. 
Desta região, seguimos para Salvador e depois iniciamos
nosso retorno a São Paulo, pela BR 116. Não quisemos
passar pelos buracos próximos a Montes Claros, então
seguimos até Governador Valadares, Ipatinga e entramos
para Belo Horizonte por uma estrada com bastantes curvas e muitos
radares.
Chegamos no dia seguinte em Sampa, já com saudade de
todas as aventuras que fizemos e sonhando com a próxima
expedição. Nesta viagem percorremos 7.400km e
gastamos quase 1000 litros de gasolina.
Se quiserem conhecer um pouco mais de fotos e imagens desta
nossa expedição, acessem o nosso site www.vernizi.hpg.com.br,
onde publicamos cerca de 700 fotos. Temos também, para
que interessar, o registro de todo o trajeto feito com GPS III
Plus.
Veja também:
Galeria
de Fotos da viagem da Vernizi Team
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