Mais de 8 mil km, sem compromisso...
Texto e fotos:
Debora Manzano
Saímos
bem cedo de Morro Branco, passamos por Aracati, Boqueirão
do Cesário, Russas e Icó (CE). Depois de Milagres
(CE), a cerca de 10 km, entramos à direita, no sentido
de Missão Velha. Passa-se por Barbalha (CE) e depois
Juazeiro do Norte (CE). Chegamos a Juazeiro por volta das 17h.
Para visitar a estátua do "Padim Ciço",
é necessário sair do outro lado da cidade, no
sentido do Horto. Seguimos para Crato (CE) e Exú (PE).
Na estrada entre estas duas cidades tem uma Secretaria da Chapada
do Araripe. Se estiver com tempo, vale a pena dar uma olhada.
Como passamos lá por volta de 22h, tudo estava muito
deserto. Fomos então para Bodocó e Ouricuri (PE),
onde paramos para dormir em um hotel (cujo nome infelizmente
não me lembro) e pagamos R$ 15,00 a diária, com
café da manhã.
Como chegamos muito tarde a Ouricuri, decidimos dormir sem a
preocupação de horário para acordar. Levantamos
por volta das 8h, pegamos o Smurff e “caímos” na estrada.
Fizemos uma parada em Petrolina para descansar e tomar um café,
e depois paramos novamente em Senhor do Bonfim, para almoçar
no Shopping local. Chegamos a Rui Barbosa às 18h, onde
lanchamos e continuamos a viagem. Redobre a atenção
ao entrar na BR 242, porque alguns trechos estão muito
esburacados, forçando o motorista a trafegar na contra-mão.
Já cansados de tanto desviar de buracos e caminhões,
paramos para dormir na Pousada do Pai-Inácio.
Acordamos
cedo, empolgados e desejando um sol maravilhoso, mas a neblina
e a garoa tomavam conta. Não dava nem para ver o Morro
do Pai-Inácio. Nos sentimos desanimados. Saímos
então às 9h e fomos para Palmeiras (BA) e Vale
do Capão, para fazermos a trilha de subida até
a Cachoeira da Fumaça. No meio do caminho, recebemos
um sinal divino: um raio de sol. Só então nos
animamos e fomos fazer a trilha. São 2 horas de caminhada:
a primeira é muito puxada, tendo que subir pelas pedras,
e a segunda é totalmente plana e vai até o outro
lado da montanha.
O bom de viajar fora de temporada é que tudo é
muito mais tranqüilo. Quando chegamos à cachoeira,
não havia ninguém. Só depois de uma hora
é que chegaram quatro pessoas.
Para
avistar a queda da cachoeira do alto do abismo não
é nada fácil, principalmente para quem sofre de
acrofobia (medo de lugares elevados), pois é preciso
deitar-se de bruços sobre a pedra e olhar para baixo.
Descer foi mais fácil. A caminhada levou 1 hora e 40
minutos e o momento mais crítico é a descida pelas
pedras, o que exige muito esforço e um bom preparo físico.
Saímos dali e fomos dormir em Seabra (BA).
Saímos de Seabra por volta das 9h. Decidimos ir primeiro
à Caverna Torrinha. Fomos recebidos pelo Eduardo, o administrador
da fazenda, que foi muito gentil conosco. Para a visitação
da caverna é necessário contratar um guia local.
São três roteiros cujos preços variam conforme
o percurso, aluguel de equipamento e quantidade de pessoas.
Ficamos dentro da caverna cerca de 4 horas e 30 minutos.
Saímos de lá e fomos para a Fazenda Pratinha (para
entrar, custa R$ 5,00 - e não estranhe, o pedágio
é longe do ponto de apoio), mas chegamos muito tarde
e perdemos quase todos os horários para ver as atrações.
Então conversamos com o Junior, um dos administradores
da fazenda, e decidimos voltar no dia seguinte para ver tudo
com calma. Recebemos a indicação de pousar na
Pousada das Grutas (R$ 30,00), em Iraquara (BA), e lá
fomos nós.
Uma dica: se seu tempo é curto, vá primeiro até
a Fazenda Pratinha e depois na Caverna Torrinha; a caverna não
precisa de luz natural para ser visitada. É possível
fazer com tranqüilidade os dois passeios no mesmo dia.
Como
combinado, voltamos no outro dia; chegamos à Fazenda
Pratinha às 8h para fazer a flutuação na
caverna. Nadamos por 170 m, da entrada até o início
da passagem para a Gruta Azul, que só é feita
com cilindro. É incrível sair da escuridão
da caverna e ver o sol bater na água e refletindo uma
luz azul. Debaixo d’água é uma visão inesquecível.
Aproveite para flutuar também no Rio Pratinha: nadar
no meio dos peixes também é muito divertido. Peça
ao Junior um guia para visitar a parede com pinturas rupestres.
A caminhada é sossegada, não leva mais do que
10 minutos. Por volta das 14h, o sol começa a penetrar
dentro da Gruta Azul, o que também é um
espetáculo. Tente chegar cedo, um pouco antes do horário,
pois repentinamente o local fica repleto de turistas, e aí,
para fotografar, é um sacrifício. O banho não
é permitido e é isso que preserva a beleza e a
transparência da água da Gruta.
Como já sabíamos da chegada do pessoal do Bahia
Off-road (um jeep clube de Salvador), ficamos para conhecê-los,
o que foi muito divertido. Havia, no total, 90 jipes. Fomos
até convidados para o churrasco oferecido pelo Prefeito
de Palmeiras (BA). De lá, seguimos em comboio para Andaraí
(BA), onde novamente quase não encontramos lugar para
dormir.
Queríamos ter ficado mais tempo para fazer a Trilha do
Roncador com o pessoal do Bahia Off-Road, mas nosso tempo já
estava se esgotando. Então passamos na Pousada Sincorá,
para pegarmos a tampa do tanque de combustível. Foi engraçado
ver a tampa no mesmo lugar que tínhamos deixado (NR:
ver primeira parte da matéria).
De
lá, seguimos para o Poço Encantado. O dia estava
claro, mas com algumas nuvens. Estávamos confiantes de
que seria possível ver o raio no poço. Chegamos
cedo, era 9h30, e logo iniciamos a descida por uma trilha de
230 m. Sentamos nas pedras e ficamos esperando ansiosamente
pela entrada do raio de sol no poço. É indescritível
a emoção de ver um faixo de luz penetrar naquela
imensidão - que tem de 30 a 61 metros de profundidade
- de água totalmente transparente e azul.
Ficamos quase uma hora lá dentro, mas saímos para
que outras pessoas que estavam aguardando lá em cima,
no barzinho, pudessem descer. Então nos despedimos e
fomos embora.
Dali seguimos para o Poço Azul. Da segunda estrada até
a entrada do poço são 17 km de estrada de chão.
Preste atenção nas placas, pois a indicação
fica meio escondida. Você só saberá que
chegou quando a estrada acabar em um rio. Pode-se então
atravessar de balsa, junto com o carro, ou pegar a ponte, onde
você paga R$ 1,00 por pessoa, mas o carro fica por ali
mesmo.
Nesse poço é permitido nadar, mas só vá
se sentir bem dentro da água, porque o que é belo
pode se tornar horrível no momento do mergulho, pois
a água é muito transparente, permitindo ver em
detalhes todo o fundo mas, como é um rio subterrâneo,
o movimento da água produz um som sinistro. A profundidade
varia de 16 a 30 metros. Não se esqueça de levar
máscara, snorkel e nadadeira, mas há também
aluguel desses equipamentos.
Saindo do Poço Azul, iniciamos nossa viagem de volta
para São Paulo. Seguimos então para Mucugê
e Vitória da Conquista, onde paramos para dormir. Parece
que a volta é muito mais rápida do que quando
saímos de São Paulo, mesmo passando por toda a
Serra de Governador Valadares e Ipatinga (MG). Chegamos a Belo
Horizonte (MG) às 22h. Em Varginha (MG) chegamos às
3 horas da madrugada, onde descansamos para mais tarde seguir
viagem. Saímos de Varginha (MG) por volta das 9h. Eram
os últimos momentos da nossa expedição.
Já estávamos um pouco desanimados por ter que
voltar para São Paulo, principalmente porque a temperatura
já começava a ficar gelada. Foi só entrar
na Capital Paulista para que o desejo de voltar e começar
tudo de novo começasse a dominar nossos sentimentos:
estava chovendo e fazendo muito frio.
Deixamos os negativos de nossa viagem num laboratório
fotográfico e estacionamos o Smurff na porta de casa
às 16h. Era o fim de mais uma jornada.
Veja a primeira parte desta viagem...
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Algumas dicas |
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Não tenha preguiça, levante cedo e vá
visitar os lugares antes dos "horários de
pico"; é muito mais tranqüilo e possibilita
melhores fotos.
- Se for para Senhor do Bonfim, levem inseticida ou repelente
de tomada; os pernilongos não te deixam em paz
nem debaixo do chuveiro.
- Em Jericoacoara, não desçam as dunas até
a Pedra Furada. Tem um outro caminho; é só
perguntar para o guia. Nós descemos e até
que foi fácil, mas na hora de subir queimamos os
pés - é um tormento que parece não
ter fim.
- Não esqueça de verificar o horário
da maré baixa para fazer os passeios nas praias
de Fortaleza (CE). Você encontra esses horários
em qualquer jornal.
- Em Juazeiro do Norte (CE), cuidado ao pegar a estrada
que vai para a estátua, porque ela é muito
sinuosa. Próximo da estátua, redobre a atenção,
pois as crianças ficam eufóricas ao avistarem
um turista e sobem até no pneu estepe do carro.
Elas pedem de tudo, desde dinheiro até as revistas
que estão dentro do carro. Leve umas bolachas para
alegrá-las.
- Muito cuidado ao abastecer o carro em Capim Grosso (BA).
Desconfie se for muito barato em relação
aos outros postos da cidade. Onde abastecemos a gasolina
tinha todas as características de estar adulterada
(o cheiro e a cor eram suspeitíssimos). |
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