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Carnaval na Canastra
Texto e fotos: Thelma Vidales

No lugar de pierrôs e colombinas, lobos-guará e tamanduás-bandeira; os confetes e serpentinas deram lugar à brisa da Casca D'Anta; e a folia de Baco foi substituída pela serenidade do Velho Chico. Foi assim o Carnaval de um grupo de 14 amigos do Ilha Jeep Clube - RJ, na Serra da Canastra, no sudoeste mineiro.

Foliões da poeira, lama, erosões e pedras soltas, partimos em um Discovery, três Defender 90, um Troller, e um Bandeirante, às 4h do sábado de Carnaval, da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, rumo a São Roque de Minas. Após 14 horas de viagem e muita poeira, chegamos "a pequena cidade, no pé da Canastra.

A primeira noite:
Decidimos dormir na fazenda do Sr. Francisco (R$ 5,00 por pessoa), próxima da Cidade e da entrada do Parque. Dica do João Barcelos, dono da Pousada Barcelos. Barracas montadas, alguns dedos de prosa... E o sono logo chegou.

O primeiro dia:
Após uma noite bem dormida, partimos em direção ao Parque Nacional da Serra da Canastra. O Ibama cobra taxa de R$ 3,00 por pessoa e os carros são revistados, não sendo permitida a entrada de armas, facões, bebidas alcoólicas, picaretas e animais domésticos (jipeiro pode!!!).

Nossa primeira parada foi na nascente do velho São Francisco, que brota discreto em meio a um alagado. Após o inevitável e necessário "momento Kodak", seguimos pelas boas estradas do Parque. Passamos pelo Curral de Pedras, e depois seguimos até a Casca D'Anta (parte alta). O visual é imperdível e os locais de banho são inúmeros nas piscinas formadas pelas primeiras quedas, ainda tímidas, do Velho Chico.

Nossa próxima parada foi a Cachoeira do Rolinho, onde as duchas e hidromassagens naturais são indescritíveis, valendo algumas horas de banho.

Revigorados, partimos cruzando o Parque, sempre guiados pelo Bené, ou "Crocodillo Dundee", velho conhecido da região. O destino era Delfinópolis. Os jipes seguiam em meio à imensidão acompanhados por um tímido arco-íris. Ao mesmo tempo o sol ia se pondo atrás das nuvens, frustrando nossos "poetas da luz" (fotógrafos).

A noite chegou e trouxe com ela o arisco e curioso lobo-guará, que cruzou a frente do Discovery do Bené e, em meio à vegetação, nos permitiu que o víssemos rapidamente, antes de sumir pelo Parque.

Chegando em Delfinópolis, encaramos um rodízio de comida mineira no restaurante Tempero Mineiro (R$ 10 por pessoa). Dormimos num camping na entrada da Cidade (barulhento, banheiros sujos... Sem comentários.).

Delfinópolis é um lugar incrível, cheio de cachoeiras e trilhas. Vale a pena conhecer (www.delfinopolis.com.br).

O segundo dia:
Acordamos cedo e, agora guiados pelo Jucélio, mineiro ligeiro e cheio de "causos" para contar, fomos às cachoeiras do Ouro (taxa de R$ 4,00) e Zé Carlinhos (taxa de R$ 3,00), ambas indescritíveis. No caminho para a cachoeira do Zé Carlinhos, buracos, atoleiros e rios fizeram a nossa diversão. Houve até quem buscasse buracos mais radicais... E o jeito foi desistir de fotografar o por-do-sol e testar o guincho.

De volta a Delfinópolis, pernoitamos na fazenda do Rio Bom Jesus, do Sr Amadeu (R$ 15,00 por pessoa, com pensão completa). A tranqüilidade, beleza do local, e a simpatia dos proprietários valeram as melhores noites da viagem.

Ultimo dia: dia de trilha!!!!!!!(afinal ninguém é de ferro!!!!)
Como prometera, Jucélio nos levou para uma trilha de verdade, a Trilha do Claro à Casca D'Anta, composta pela Trilha da Bateinha, Caminho do Céu, Morro do Carvão e Vão da Babilônia (dados do Jucélio). Foram subidas fortes, descidas que liberaram mais que adrenalina, e erosões, muitas erosões...O final não poderia ser mesmo outro que a Casca D'Anta, com seus 186 m de queda (dados do Jucélio), um dos símbolos do Parque.

Após o jantar no restaurante do Zé de Lima (R$ 6,00 por pessoa), tomamos um outro caminho e voltamos à fazenda Rio Bom Jesus. Na entrada de Delfinópolis, decidimos comprar algumas garrafas de vinho e então conhecemos o Sr. Quinzinho, figura caricata, mineiro de vocação, dono de uma venda, onde provamos o "Para Tudo", bebida de Uberaba, à base de jatobá e ervas fortes, que segundo Quinzinho é o "viagra mineiro", e o Chapinha, vinho com chapinha ao invés de rolha, e o único no mundo que ao se comprar se devolve o casco ("- mas não precisa ser hoje, algum dia ocês devolve.").

Encerramos o dia com causos do Jucélio, dentre eles um do Santos Dumont de Delfinópolis...

A volta
Quarta-feira de Carnaval, a tristeza pela partida e a saudade já tomavam conta de todos. Barracas desarmadas, carros abastecidos, partimos para o Rio de Janeiro, passando por Capitólio, onde existem canyons deslumbrantes, cachoeiras... E onde possivelmente será o cenário da nossa próxima aventura.


 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
geral@planetaoffroad.com


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