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Expedição Belém / Búzios - Parte 2 (Clique aqui para ver a primeira parte)

Fortaleza-CE / Juazeiro do Norte-CE: 553 km 
A maioria dos carros e pilotos precisavam de manutenção, por isso resolvemos sair mais tarde de Fortaleza e chegar a Juazeiro do Norte pela BR-116. Agora iríamos começar a parte do Sertão e enfrentar muito piso duro e poeira.

Em Fortaleza, incorporei ao meu carro duas caroneiras. A Cibelle, namorada do Dionísio e responsável pela logística dos hotéis e refeições, e a Taína (é assim mesmo que se escreve), amiga dos dois. O Rogério, que até então viajava comigo, passou para o carro do Dionísio e ficaram apoiando o comboio mais atrás. Foi ótimo porque, como a Cibelle precisava sempre chegar na frente para preparar o lance dos hotéis, eu fiquei liberado para seguir no meu ritmo, que, se não era o mais rápido, era pelo menos muito mais constante, o que tornou a coisa muito mais divertida. Portanto, mesmo saindo de Fortaleza por volta da 01 hora da tarde, cheguei a Juazeiro do Norte antes das 07 horas da noite.

Juazeiro do Norte (não confundir com Juazeiro, na Bahia) é a terra do Padre Cícero. É uma cidade extremamente movimentada em função do grande numero de fiéis que a procuram para visitar tudo relacionado ao "Padim Cícero". É um sem número de pousadas, hotéis baratos, vendedores ambulantes, feiras, gente pra todo lado, gente pagando promessa e tudo mais.

Juazeiro do Norte-CE / Petrolina-PE: 130 km de asfalto + 210 km de terra
Lógico que, antes de sair da cidade, fomos visitar a famosa estátua do Padim Cícero, que fica no alto de um morro de onde se tem uma vista muito bonita da região que, ao contrário do que muitos pensam, mais parece um oasis do que a caatinga famosa, cantada em verso e prosa por Luiz Gonzaga, nascido na região (também é quase que só este pedacinho).

Com todo mundo descansado, já que o trecho anterior tinha sido um passeio, hoje pudemos cumprir o roteiro da planilha, ou seja, muita terra e poeira até Petrolina. Distância pequena, viagem rápida, sertão pra todo lado, palmas e outros cactus plantados como roçados nas poucas terras cultivadas e chegamos cedo a Petrolina. Pudemos dar mais um relax, hotel bom, piscina, cerveja, só sofrimento!

Petrolina-PE é a cidade grande da região, com destaque para produção de fruta irrigada. Manga e uvas deliciosas. E é grande mesmo, bem diferente de Juazeiro-BA (desta vez é Juazeiro mesmo), bem menor e separada de Petrolina pelo Rio S. Francisco, o corpo e alma destas paragens. Tudo bem Brasil mesmo.

Petrolina-PE / Lençóis-BA: 115 km de asfalto + 402 km de terra
A viagem começa  na travessia do S. Francisco, continuando pelo sertão baiano. Quilômetros e quilômetros de estradas e estradinhas de terra, com a mesma paisagem de caatinga, mandacarus e palmas, passando em lugarejos desassistidos e pouca cidade com alguma infra-estrutura.

Isto até chagar na BR, onde se começa a vislumbrar a exuberância da Chapada Diamantina. Daí vamos por asfalto até a cidade de Lençóis, onde chego antes das 5 da tarde. Como ocorreu desde Fortaleza, nessa altura, eu viajava no meu ritmo, que embora sem nenhuma correria, era muito mais constante do que o dos outros, que somente chegaram a Lençóis por volta das 8 da noite.

Lençois é talvez a principal cidade da Chapada Diamantina, sendo portanto bem equipada, com bons hotéis, pousadas, butecos, lojas de artesanato, pedras etc., além de ser uma cidadezinha muito interessante e com grande valor histórico. Esta região foi muito povoada e movimentada em função dos garimpos de diamante lá existentes. Hoje existe ainda algum movimento garimpeiro, mas sem muita importância econômica. A economia atualmente está muito mais centrada no Turismo, com grande incentivo do Governo Baiano. Sem dúvida alguma, vale a pena conhecer. Há inúmeros pontos de grande beleza. Você precisa ficar pelo menos uns cinco dias por conta. Pode-se ficar em Lençóis e dali sair pelas redondezas ou ainda passar cada noite em uma das cidadezinhas (Igatu, Mucugê etc.)  da região. Muitas cachoeiras, morros, formações rochosas etc. Atrações de toda ordem para Trekking, Bicicleta, Trail, Jeep e até carro de passeio.

Lençóis-BA / Taiobeiras-MG: 180 km de asfalto + 310 km de terra
Parte do que falei acima sobre Lençóis vimos no outro dia, quando saímos da cidade rumo a Taiobeiras. Primeiro pegamos uma trilha, pequena, cerca de 26 km, porém digna das melhores de Minas, estreitinha, bem técnica, riachos, rios, cachoeira e até uma caixinha de marimbondo numa árvore caída para dar mais emoção. No meio, um areião esperto para quebrar ainda mais a monotonia, se ela viesse.

Depois fizemos uma visita obrigatória a Igatu, antiga cidade de garimpo, com muitas lembranças arquitetônicas da época , onde havia até diamante bruto para vender no boteco onde tomamos uma cerveja. Valeria a pena ir até lá, mesmo que só pelo acesso, que é feito por uma subidinha de serra muito legal.

Por lá mesmo saímos e seguimos sempre por estradas e estradinhas de terra, com direito a travessia de balsa (onde pudemos tomar um banho de rio e dar um refresco pro calor) e tudo mais.

Este dia foi complicado para o resto do povo. Teve carro quebrado e atraso de toda ordem. Para se ter uma idéia, cheguei a Taiobeiras por volta das 7 da noite. O primeiro carro depois de mim chegou pouco antes das 10 horas. Teve gente chegando até 2 horas da manhã.

O grande destaque de Taiobeiras é, além do povo extremamente agradável, simpático e prestativo,  sem dúvida o Moto Clube. A história deste Moto Clube é longa e não vou contá-la. Basta dizer que a sede do Moto Clube de Taiobeiras, além de uma pista de Motocross (onde se disputam provas do Campeonato Mineiro),  tem um enorme e belíssimo jardim contornando uma piscina cujo design é também muio bonito, campo de futebol gramado, quadras, bar, restaurante etc. Lá nos foi servido o melhor jantar de toda a viagem. Tudo finíssimo. Nossos parabéns mais uma vez pela acolhida em Taiobeiras.

Taiobeiras-MG / Diamantina-MG: 222 km de asfalto + 256 km de terra
A planilha passaria por lugares muito legais quando estivesse chegando a Diamantina. Na saída de Taiobeiras, porém, seria uma repetição do dia anterior. Um pouco de asfalto até Salinas, mais na frente estrada de terra em direção a Grão Mogol. E por aí vai. Na região de Diamantina, o visual começaria a melhorar, já com o aparecimento do relevo, os rios e cachoeiras.

Aproveitei porém a parte da manhã para dar uma geral no Land, pois desde Belém não havia feito nada por ele. Liberei o pessoal para ir embora e fiquei de encontrá-los mais à frente. Então dei uma lavadinha rápida, conferi alguns parafusos, pastilhas de freio, troquei o óleo e pé na estrada.

Ao encostar num posto de gasolina, o último antes de pegar o roteiro da planilha, qual não foi a minha surpresa ao deparar com o jipe Kia com o motor fundido?! Como resultado, em vez de trilha até Diamantina, 130 quilômetros rebocando um jipe com corda até Montes Claros e término da viagem até Diamantina com seis passageiros no Land, ou seja, os meus mais os do Kia. Poderia ter sido melhor. Mas foi bom também!

Diamantina, dia de semana, nenhuma agitação, Beco do Mota vazio, única distração, que já não é pouca, apreciar a beleza da cidade que continua linda e bem cuidada. Boa comida na pousada e preparar para sair no outro dia cedo, pois o trecho seria longo.

Diamantina-MG / Ouro Preto-MG: 433 km
Carros abastecidos, saímos cedo em direção a Congonhas do Norte, onde pegamos a trilha que sobe para a Serra do Cipó. Como eu já estava no meu quintal, andei junto com o resto da expedição, que constantemente dava uma paradinha, com todos maravilhados com o visual.

Depois de sairmos do alto da Serra, tomamos a direção de Belo Horizonte, não sem antes passarmos pela pousada do Rogério (Serra Morena) e almoçarmos a deliciosa comida da Dona Maria, mãe do próprio. Aproveitamos para visitar as cachoeiras da Pousada, dar entrevista para a imprensa francesa que cobria a expedição (com cachoeira ao fundo etc.), dar um refresco no corpo e depois seguir viagem, pois já eram umas 5 da tarde e o nosso destino era Ouro Preto, a mais de 200 quilômetros dali.

Neste ponto, Belo Horizonte passou a fazer parte da expedição, pois não poderíamos perder a oportunidade de mostrar onde morávamos aos nossos amigos franceses. E assim foi feito. Com isto, somente chegamos a Ouro Preto depois de 9 da noite.

Ouro Preto-MG / Búzios-RJ: 227 km de asfalto + 248 km de terra
Saímos de Ouro Preto por volta das 8 da manhã. Antes de pegarmos a estrada, demos uma voltinha pela cidade para, pelo menos, apresentar Ouro Preto e sua arquitetura aos nossos amigos. Depois disto, saímos rumo a Mariana e logo, 17 quilômetros depois, já entramos na terra em direção a Búzios.

Para os que moram por perto de Ouro Preto, este é um passeio "imperdível". Bom para ser feito em 01 dia, melhor para ser feito em 02. A atração fica por conta do visual que a todo momento surpreende, tanto nas montanhas da Zona da Mata Mineira, pelas quais se anda praticamente todo o tempo, como pelas montanhas do Rio de Janeiro, onde pode-se curtir a noite nos vários chalés com fondue, conhaque, vinhos e outras coisas mais, além de, se gostar, participar de uma das várias opções de rafting. E, de quebra, ainda se chega ao mar.

Para quem quer aproveitar, vai a dica: pegue um mapa e vá em direção às seguintes cidades, partindo de Ouro Preto: Mariana, Padre Vieira, Mainarte, Pinheiros, Presidente Bernardes, Senador Firmino, Ubá, Cataguases, Leopoldina, Além Paraíba, Nova Friburgo, Carmo, Duas Barras, Bom Jardim, Friburgo, Barra Alegre, Santo Antônio, São Pedro da Serra, Luminar, Casimiro de Abreu, BR-101 à esquerda, em direção a Búzios. Em algumas cidades você não vai passar; servem para saber que direção tomar. Algumas estradas de ligação estre estas cidades podem não constar nos mapas, mas existem. Informe-se no local.

E assim chegamos a Búzios, depois de 12 dias de viagem, a partir de Belém.



 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
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