Expedição Belém / Búzios - Terramazone
2000
No
final do ano passado, os leitores da revista eletrônica
Minas Off-Road ficaram conhecendo a Terramazone 2000, expedição
que serviu como levantamento de uma prova off-road que cortará
o Brasil, saindo de Caiena, na Guiana Francesa, e chegando ao
Rio de Janeiro, atravessando os Lençóis Maranhenses
e descendo por uma rota próxima ao leito do rio São
Francisco. Agora, Planeta Off-Road traz para seus leitores um
relato completo do que foi esta viagem de levantamento, elaborado
por José Francisco Cunha Nacif, um dos três membros
brasileiros da expedição (lembrando que a prova
está sendo organizada por franceses).
Nacif é empresário e pratica esportes fora-de-estrada
desde 1978. Já participou do Rally Internacional dos
Sertões quatro vezes, sendo três delas de moto
e uma de autocross. Além disso, foram 13 participações
no Enduro da Independência, 2 no Enduro da Liberdade (noturno)
e, para completar o currículo, uma expedição
de 18 mil quilômetros pela América do Sul, saindo
de Belo Horizonte-MG, passando por Santiago (Chile), Ushuaia
e retornando à Capital Mineira.
Mas vamos ao que interessa!
Histórico
Lá
pelo mês de agosto de 2000, recebi um telefonema do meu
amigo Rodrigo Padilha, companheiro de trail, Rally dos Sertões
etc., sobre uma prova que estava sendo planejada, saindo de
Caiena (capital da Guaiana Francesa) e chegando ao Rio de Janeiro.
O melhor é que haveria uma "avant-premiere" desta prova,
em forma de expedição, para que os organizadores
sentissem como seria a coisa. Bom; depois de muita conversa,
ficamos sabendo que uma das pessoas que faria parte da Organização,
tendo sido inclusive o responsável pelo levantamento
do roteiro, era um velho conhecido nosso, o Dionísio
Malheiros, que coincidentemente havia feito contato com outro
amigo comum, o Rogério Franco, proprietário da
Pousada Serra Morena (na serra do Cipó), convidando-o
para fazer parte da expedição, a fim de dar uma
força na Organização.
Enfim, o resultado disto é que eu, Rogério e o
Padilha nos incorporamos à Expedição, como
parte da Organização e Apoio. Por motivos particulares,
na véspera, o Padilha não pode ir. Com a turma
reduzida a eu e o Rogério, fomos passear.
O início da viagem
A princípio, ficamos acertados que começaríamos
a viagem em Caiena. Porém, poucos dias antes, o roteiro
original Caiena-Belém foi alterado, fazendo com que este
trecho fosse reduzido a uma viagem pelas estradas disponíveis.
Resolvemos então que começaríamos a viagem
por Belém, desistindo desta forma de Caiena. Como o Rogério
dispunha de uns dias a mais, ele subiu sozinho, direto pela
Belém-Brasília, levando o carro - um Land
Rover Defender 110 -, ficando acertado que nos encontraríamos
em Belém, onde pegaríamos a Expedição.
Os qu
e saíram de Caiena vieram por estrada até Macapá.
Lá, embarcaram os carros e eles próprios na balsa,
única ligação possível com Belém
(dois dias de viagem), onde os encontramos na madrugada do dia
15 de novembro de 2000. Foi quando conhecemos então os
outros componentes da Expedição, que era
formada por dois caminhões 4x4, duas motos, oito carros
dos franceses (Toyota, Mitsubishi e até um Subaru Forester
e um jipe Kia) e um Land Rover (o nosso).
Aqui
houve um episódio pitoresco, que por pouco não
acaba com a Expedição antes do início.
Como era feriado, não havia no local ninguém da
empresa responsável por colocar a rampa de chapa entre
a balsa e o cais do porto de Belém, para que os veículos
desembarcassem. De saco cheio de esperar, um francês maluco,
dizendo-se experiente em empilhadeiras, entrou em uma das que
estavam lá estacionadas e foi colocar a rampa na balsa.
A experiência dele porém não foi suficiente
e quase que a empilhadeira cai no rio, o que só não
aconteceu por ter ficado entalada entre a balsa e o cais (mas
pelo menos, ao quase despencar para dentro do rio, o que despencou
foi a chapa que serviria de rampa. Porém, para nossa
sorte, despencou para dentro da balsa, o que nos possibilitou,
com o auxílio do guincho do Land, posicioná-la
para que fosse possível desembarcar os carros).
Belém-PA
/ São Luiz-MA: 639 km
O trecho programado seria, de qualquer forma, bem leve. Porém,
com o atraso da balsa, resolvemos fazê-lo todo por asfalto,
primeiro porque já havia outra travessia de balsa reservada
para as 7h da noite e depois porque queríamos passar
pela cidade histórica de Alcântara (quando for
para o lado de lá, não deixe de visitar), a principal
atração turística deste dia. Mesmo assim,
chegamos a São Luiz já após as 22h. Conhecemos
muito pouco ou quase nada da cidade, seguindo direto para
o hotel, pois teríamos que sair cedo no outro dia.
Neste trecho, já pudemos notar o grande problema que
seria conduzir esta turma pelos trechos programados. Primeiro,
era uma turma muito heterogênea, com alguns muito descansados
e lentos. Segundo, os caminhões não conseguiam
andar no ritmo exigido pelo roteiro. Mas tudo bem, vamos lá
!
São Luiz-MA / Barreirinhas-MA: 151 km de asfalto, 168
km de terra / areia
Aqui começava a parte interessante da viagem. O
roteiro original previa sair de São Luiz, passar por
Barreirinhas e entrar cerca de 40 quilômetros nos Lençóis
Maranhenses, dormindo em Atins (dentro dos Lencóis Maranhenses).
Saímos então de São Luiz por asfalto, já
atrasados (esta francesada é descansada demais !!!).
151 quilômetros depois, entramos em uma estrada
de pura areia e com inúmeros obstáculos e
riachos limpíssimos (78km). Com pouca ou nenhuma experiência
em off-road, alguns carros tiveram muita dificuldade para transpor
este trecho. Para se ter uma idéia, entre a viagem e
a curtição (paradas, fotos etc.), este trecho
estava programado para ser feito em mais ou menos 3 horas.
Só nos primeiros 7 quilômetros levamos 5 horas
de viagem. O trecho todo foi cumprido em aproximadamente 9 horas.
Vale ainda dizer que os caminhões cortaram este caminho
e seguiram direto para Barreirinhas. Eu e o Rogério,
que estávamos caçando diversão, além
de sermos plenamente recompensados, pois nos divertimos à
beça, fomos eleitos os heróis do dia, pois o que
desatolamos de carro!!!...
Depois do areão foi a parte light. 90 quilômetros
de estrada de terra, que foram cumpridos em quase 4 horas. Nada
de difícil, só buraco mesmo, que variavam entre
os grandes, os muito grandes e os enormes. Nestes últimos
o Land entrava com as quatro rodas. Diversão garantida
até às 11h da noite, ao chegarmos em Barreirinhas,
quando, logicamente, não entramos pelos Lençóis
Maranhenses, preferindo dormir por ali mesmo. O mais grave é
que perdemos o jantar que estava preparado para nós em
Atins, com quilos e mais quilos de peixe, camarão e lagosta.
Mas tudo bem, nada é perfeito. Nos contentamos com uma
ou duas cervejas e filé com fritas no jantar.
Barreirinhas-MA / Lençóis Maranhenses / Parnaíba-PI:
190 km + 80 km nos Lençóis
Por
causa da aventura do dia anterior, nosso passeio pelos Lençóis
Maranhenses ficou reduzido a pouco mais de 80 quilômetros.
De qualquer jeito, foi suficiente para saber que não
conhecer os Lençóis Maranhenses é uma falha
imperdoável. É indescritível ver aquele
mar de areia, branca como neve, formando dunas imensas e, entre
elas, lagos de água doce completamente cristalinos. Para
os amantes de off-road é um prato cheio. Apenas um detalhe
obrigatório: atenção; definitivamente,
não entre nos Lençóis sem um guia da região,
pois a surpresa pode ser muito desagradável. Lá
você descobrirá por quê! De qualquer forma,
o ideal é que se reserve pelo menos uns 3 dias para conhecer
os Lençóis, inclusive dormindo dentro da área
do Parque, à beira de um dos lagos.
Depois da voltinha pelos Lençóis, voltamos a Barreirinhas,
de onde saímos, já anoitecendo, rumo a Parnaíba-PI.
Agora, novamente, os caminhões iam no comboio, já
que, por questão de segurança, eles não
entraram também nos Lençóis Maranhenses.
Foram mais 7 horas por estradas dignas de qualquer raid. E noturno!
Com o comboio andando a velocidades que variavam entre 17 e
25 Km/h. Enfim, mais 80 quilômetros de asfalto e estaríamos
em Parnaíba, onde chegamos por volta de 2h da manhã.
Parnaíba-PI
/ Jericoacoara-CE / Fortaleza-CE: 521 km
Este dia era reservado a mais emoções fortes.
A planilha original determinava a saída de Parnaíba
pelas dunas do delta. Resolvemos porém, de comum acordo,
cortar este trecho e fomos por asfato até Camocim, onde
fizemos uma travessia por balsa (10 minutos) e pegamos o caminho
pelas praias e dunas até Jericoacoara (45 km).
Quem conhece sempre volta. Quem não conhece, trata de
tirar a bunda da cadeira e vai lá. É Só!!!
Jericoacoara, cerveja gelada, mulher bonita (só uma olhadinha)
e roda no chão a caminho de Fortaleza. É possível
o trajeto todo pela praia, com pequenos desvios contornando
os mangues e rios. Resolvemos porém sair por Jijoca e
pegar o asfalto, pois já era bem tarde, tanto que só
conseguimos chegar a Fortaleza por volta das 10h da noite.
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