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Uma aventura pela Estrada do Inferno - parte 2

Nesta edição, publicamos o relato da segunda expedição (01 de maio de 2000) da turma do Niva Clube do Rio Grande do Sul à temida Estrada do Inferno que, desta vez, estava bem mais "mansa" que de costume. O texto, mais uma vez, é de Luciano Duarte. Confira!

Caborteiros em geral:

É isso aí! Cá estamos nós mais uma vez. Nem tão sujos quanto da última, mas bem cansados, é verdade. Mais uma expedição foi completada com sucesso e, desta vez, temos até filme pra comprovar nossas peripécias 4x4. Apertem os cintos de reboque, preparem as manilhas, que vamos começar!

Esta expedição começou bem antes do grupo de Porto Alegre partir. Enquanto eu trabalhava na sexta-feira, contando as horas para pegar a estrada, a turma de Canguçu / Pelotas já estava na estrada, enfrentando desafios e "criando" suas próprias dificuldades. Por volta das 17h30 da tarde sexta, o Rui me ligou dizendo que tinha uma missão impossível: comprar um rolamento e um retentor de roda traseira para o Niva do Ildo, que estava em Tavares, com uma roda suspensa do chão, na oficina do Ben-Hur. Como tinha poucas coisas para fazer antes da viagem, como carregar o Niva, arrumar minha mochila, vedar o distribuidor, completar o óleo, abastecer e pegar meus Zequinhas pela cidade, fiquei calmo com a situação.

Cheguei em casa e rapidamente liguei para o santo protetor dos Niveiros, "Seu" Dirceu. Como ele estava mais calmo do que eu, tivemos uma longa conversa sobre onde conseguir um rolamento àquela altura dos acontecimentos. Por volta das 18h15, ele me passou o telefone de uma loja onde poderia encontrar as peças solicitadas, se já não estivesse fechada. Com a benção de todos os santos jipeiros, consegui o rolamento, ficando pendente apenas o retentor. Como eu tinha um usado em casa e em trilha se usa o que se tem, empacotei este mesmo e dei a tarefa por concluída às 19h. Deixo aqui o agradecimento público ao meu pai, que foi buscar o rolamento na loja.

Bem; carregado o Niva e tudo o mais, fui para o ponto de encontro, para a largada do comboio. Lá já estavam todas as motos com seus respectivos pilotos: Alex, Ricardo, Rafael, Charles, Roger e Alexandre. Estava também a Hilux do "Seu Careca", apoio das motos, e chegava, pela segunda vez, o JPX do Mika e da Roberta, nossa "guarda (e perde)- volumes" da viagem. Largamos de lá por volta das 22 horas, parando para o abastecimento e saindo definitivamente em direção ao nosso objetivo às 22h30. Seguimos pela estrada de Viamão, onde pegamos o último elemento do grupo: Nei, o fotógrafo. A viagem até Mostardas foi tranqüila, com muita neblina na estrada e papo no radinho Talk About. Excelente oportunidade para falar mal do Mika que, com seu equipamento sofisticado, de última geração, no JPX, conseguia escutar tudo que falávamos mas não podia transmitir, porque nossos radinhos não tinham capacidade de decifrar suas ondas eletromagnéticas.

Por volta da 01h30 da madrugada, chegamos em Mostardas, onde rapidamente encontramos o hotel sinalizado por uma carreta carregada de Willys e alguns outros jipes espalhados em volta. Pelo que víamos ali, teríamos um congestionamento na Estrada do Inferno!

Acordamos sábado bem cedo e começamos os preparativos para a saída. Depois de um farto café da manhã, arranquei na frente do comboio, em direção a Tavares, onde o Ildo, ansiosamente, nos esperava. Lá chegando, fomos recebidos com muito entusiasmo pelo pessoal vindo de Canguçu / Pelotas. Com o Niva do Ildo consertado, partimos em direção à praia.

Estradinha de terra, com alguma água, e um pouco de areia molhada mais próximo do mar foi o que encontramos. Sem muitas dificuldades, seguimos pela orla até a altura do acesso à Lagoa do Peixe, que havíamos utilizado na semana passada. Entramos por lá para conhecer e descobrimos, finalmente, uma laminha. O nível da lagoa estava bem mais baixo do que na passada, fazendo surgir pontos de atoleiro escondidos pela vegetação. Mas não tão escondidos... Logo que entramos nas margens da lagoa, eu seguia atrás da Hilux, com calma, apreciando a paisagem. De repente a Hilux passou por atoleiro brabo mas, como eu vinha logo em seguida e sem embalo, fiquei! Fiquei bem encostadinho no chão, aliás! Chamei o pessoal pelo rádio e começamos a diversão.

Primeiro tentamos empurrar o Niva; nem se mexeu. Estiquei o guincho e prendi no JPX. Quando voltava para o carro, percebi uma situação estranha: todo mundo se auto-flagelando com tapas. Logo percebi que estávamos no meio da maior nuvem de mosquitos que já vi. Pensando que iria sair rápido daquela situação, entrei no carro e ativei o guincho. Nada! Tá preso mesmo! Bom, vamos usar a patesca do Rui, então. Coloquei a patesca, só que, para isso, precisei desenrolar todo o cabo do carretel. Quando voltei para o carro e tentei esticar o cabo, que estava sobrando no chão, tive uma surpresa: o guincho não funcionava. Fiquei assustado, pensando se tinha queimado o guincho na tentiva anterior, se tinha acabado a bateria, ou sei lá o quê. Pensando um pouquinho, imaginei ser problema no botão do painel e fui apanhar o controle do guincho no porta malas, acompanhado pela minha centena particular de mosquitos, é claro. Quando voltava para a frente do Niva, com o controle na mão, vi uma cena que funcionou como repelente naquele momento: o Mika, cansado de ficar dentro do JPX com ar condicionado ligado e vendo seus companheiros se debaterem com aqueles insetinhos, havia tentado me rebocar pelo guincho e o cabo havia se partido no ponto de fixação ao carretel. Agradeci seu companheirismo e o convidei a participar da "festa" conosco.

Estávamos agora divididos em três frentes de trabalho: a primeira tentava consertar o cabo do guincho, a segunda tentava desatolar a Toyota Hilux, que havia atolado na tentativa de voltar para a praia, e a terceira, desesperadamente, procurava o repelente no porta malas. Depois de umas 25 picadas per capita, conseguimos fixar novamente o cabo e patescar o Niva para fora do atoleiro. Nos dirigimos então para a Hilux que, mesmo com "trenzinho" do Niva do Ildo e do Willys, não saia do lugar. Colocamos então outra cinta de reboque na caminhonete e eu puxei com o Niva, junto com o trenzinho formado. Finalmente ela saiu e nós, desesperadamente e praticamente anêmicos, abandonamos os domínios da lagoa.

Já na praia, o grupo decidiu se dividir: a turma de Canguçu, atrás de mais emoções, e os motoqueiros foram passear pelos lados da lagoa; o JPX, a Hilux e eu seguimos pela praia, até o Farol Caído, onde esperaríamos o resto do grupo para o almoço. No caminho para Farol, meu navegador Júlio tentou "pescar" nosso almoço de graça numa rede de pesca. Quando ele já estava com o peixe na mão, viu dois sujeitos nada satisfeitos correndo pela praia em sua direção. Sem muita cerimônia, ele entrou pingando no Niva e tocamos em frente, sem almoço, mas dando boas risadas! Quando chegamos perto dos dois sujeitos, dissemos que estávamos apenas tirando umas fotos de recordação. Obviamente, eles acreditaram e até disseram: "Vão ficar muito bonitas estas fotos, com o cara pelado e um peixe na mão!" Seguimos mais uns quilômetros até encontrarmos outro pescador pelo caminho. Dessa vez, preferimos comprar o peixe, e assim foi feito. Almoço do pessoal garantido, tocamos até o ponto de encontro.

Chegando ao Farol, fizemos uma sessão de fotos e fomos providenciar as condições para assar o peixe. Seu Careca, Nei e Júlio fizeram espetos de bambu (na beira da praia?) e grelha de vergalhão de aço. Eu, Mika e Roberta preferimos fazer nossa massinha ao molho de queijo. Gabriel, meu Zequinha filmador, optou por comer de tudo! Quando o "sushi" já estava quase no ponto (pois não assou muito bem), o pessoal chegou. Comeram assim mesmo e elogiaram os "Chefs".

Como já era 16h30, saímos rapidamente em direção a São José. Rodamos rápido pela praia, numa média de 80 Km/h. Quando o sol começou a se por, eu, que ia à frente, sem ninguém no retrovisor, resolvi esperar o resto do comboio. Depois de uns 15 ou 20 minutos, passou o pessoal de Canguçu, a Hilux e 4 motos. Faltavam Mika e duas motos. Esperamos mais 10 minutos e nada. Já preocupados, pensamos em voltar, até que surgiu uma moto no horizonte. Mais uns 5 minutos e chegava Alex para dar as notícias. A moto dele estava com um pneu furado, problemas elétricos e superaquecimento. Completamos a água do radiador dele e mandamos seguir em frente. Logo em seguida, apareciam o Mika e o Ricardo, que estavam assessorando o Alex. Seguimos por mais alguns poucos quilômetros, completando a água, até que, na altura do barco encalhado na praia, a moto do Alex foi de vez. Mandamos dois motoqueiros buscar o resto do comboio, pois iríamos acampar ali mesmo, uma vez que já estava escuro. Depois de um tempo, eles voltaram dizendo que o pessoal estava em Praia do Mar Grosso, a uns 7 quilômetros dali, e que iria acampar lá.

Teríamos então que rebocar a moto até lá. Tentamos primeiro com o Niva e uma cinta, mas logo vimos que seria muito complicado. A solução então foi empurrar a moto com outras duas, uma de cada lado, até o local para pernoite. Tudo correu bem nesse trajeto e conseguimos chegar ao balneário por volta da 19h. Armamos acampamento no pátio de uma casa, na beira da praia. Ficamos, assim, protegidos do vento que, à noite, mostraria sua força em algumas rajadas. Depois de um reenergizante banho frio e de muitos pastéis de camarão, o pessoal estava pronto para descansar do primeiro dia.

Domingo. Acordamos cedo e começamos a organizar a bagunça para partir. Depois de uma sessão de fotos na praia, com direito a formação e tudo mais, nos despedimos dos amigos de Canguçu, que voltariam para casa, e seguimos nosso rumo, até São José do Norte. Depois de abastecermos e descobrirmos novos problemas com as motos, que precisavam de uma borracharia, o grupo se dividiu novamente. Eu e o Mika fomos até os molhes e o resto do comboio foi para a borracharia. Na volta dos molhes, dois motoqueiros nos aguardavam para indicar que grupo já havia seguido pela estrada. Fomos em frente, entrando finalmente na Estrada do Inferno.

O trecho entre São José e Bojuru estava extremamente fácil. Uma verdadeira estrada de terra. Avançamos sem dificuldade até começarmos a encontrar os integrantes da expedição. Como saímos de São José por volta das 11h30 da manhã, a fome já estava batendo. Ficamos sabendo que o pessoal da frente do comboio já estava parado para almoço numa "quermesse" na igreja local. Estavam na fila para o churrasco! Logo em seguida, chegamos ao local. Novamente, sem muita preocupação, as tripulações do JPX e do Niva preferiram fazer o próprio rango. Comemos risoto com ovos cozidos, acompanhados de milho e ervilha. Foi um almoço relaxante...

"Lavada a louça", seguimos viagem, agora com a proteção da simpatia de Charles e Alexandre, que colocaram os escafandros para espantar a chuva. Funcionou! Não caiu uma gota de chuva no trajeto. A partir deste ponto, a estrada começou a piorar, mas continuava bastante leve. A partir de Bojuru, as coisas melhoraram um pouquinho, mas como não chovia a uma semana, só encontramos areia e algumas poças de lama ocasionais. Seguimos assim até Mostardas, com alguns tombos de motoqueiros neste trajeto, mas sem registros fotográficos. Tivemos paradas ocasionais para colocar calços de borracha na carroceria do JPX, que havia quebrado os apoios da mesma no início da estrada. No mais, só o incomodo de dirigir com as rodas desbalencedas pela lama da Lagoa do Peixe, ainda grudada nas rodas, o que fazia com que o Niva trepidasse inteiro.

Chegamos em Mostardas por volta das 19h30 e resolvemos levantar acampamento e seguir para Porto Alegre. Depois de alguns percalços com a chave da Kombi, que estava segura no porta luvas do JPX, embora a Roberta negue isso até a morte, partimos. Chegamos em POA por volta das 0h e dormimos felizes mais uma vez. Cansados novamente, mas já planejando a próxima aventura: Rio Grande - Chuí. Quem se habilita?

Abraços a todos que participaram; foi uma ótima expedição!

 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
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