Arilo
Alencar Jr.: uma força vital no off-road nacional
São quase vinte anos de uma vida voltada ao off-road.
Muitos deles, vivenciados na batalha de se produzir uma revista
mensal. E a história não pára por aí:
tem aventuras pela Transamazônica, participações
no Rally dos Sertões e Paris-Dakar, realização
do Festival Brasil Off-Road e assim vai. Esta tem sido a vida
de Arilo Alencar Jr., Diretor da Revista 4x4&Cia. Com exclusividade
à Planeta Off-Road, Arilo conta um pouco de sua participação
no off-road brasileiro e desabafa sobre os problemas do mercado.
Planeta Off-Road: Como e quando foi seu envolvimento
o off-road?
Arilo Alencar: Foi em 1982, quando comecei a fazer
caminhadas e trilhas a pé na mata. Depois fiz trilha
de moto e pratiquei motocross por alguns anos e em seguida passei
a fazer de jipe.
POR: Você é hoje uma das principais 'figuras'
do off-road brasileiro, estando à frente da revista 4x4&Cia,
do Festival Brasil Off-Road e ainda participando como piloto
de provas como o Dakar. O que o leva a estar à frente
destas iniciativas?
Arilo:
Gosto muito do que faço e vejo - como empresário
do setor - o que pode ser melhorado nesse mercado. Dessa maneira
vou buscar meios para fazer o possível para executar
o planejado.
POR: Como você vê o mercado off-road no
Brasil atualmente?
Arilo: Está em crescimento constante como
mostram os números e a mídia. Para alguns é
um mercado pequeno, mas com enorme potencial. Muitos fabricantes
reclamam, mas parecem não ter olhado as vendas de seus
veículos 4x4, que só cresceram.
POR: O que você acredita que ainda precisa ser
feito no off-road nacional?
Arilo: Investimento dos fabricantes de produtos do
setor, no sentido de passar melhor informação
aos seus clientes e usuários. Os fabricantes tem que
entender que quem usa um produto desses tem de ser incentivado
a participar de algo que lhe proporcione o prazer de ter o produto.
POR: Em 2001, você participou de várias
provas como o Sertões, a Copa Baja e o Mitsubishi Motorsports.
Como competidor, o que você achou destas competições?
Arilo:
A cada ano que passa, as provas melhoram em todos os sentidos,
desde a organização até os competidores.
O Rali dos Sertões está ficando cada vez melhor,
provando que mesmo com toda complexidade de se organizar uma
prova deste porte, é ainda um evento viável. Normalmente
um dos maiores problemas dos organizadores é o tal do
patrocínio, que todos correm atrás e poucos conseguem.
O Baja também está crescendo e enfrenta o mesmo
problema de patrocínio.
O Mitsubishi Motorsports é bem organizado, tem um ótimo
resultado para a marca, que ajuda muito o seu cliente a usar
o produto para o que foi projetado. É um sucesso: outras
marcas deveriam seguir o exemplo.
POR: O que mais te marcou em todos esses anos envolvido
com o 4x4?
Arilo: A amizade forte e sincera com as pessoas que
praticam o off-road, isso é o melhor.
POR: O que você achou dos resultados do Festival
Brasil Off-Road 2001?
Arilo: Foi o melhor resultado que se pode obter com
a verba disponível - ou melhor, que não tínhamos...
É lógico que não fiquei nem um pouco satisfeito
com o apoio dos empresários que não acreditaram
na mudança do local e nem no seu mercado. Levantei recursos
financeiros praticamente sozinho, contando com a enorme ajuda
de muitos amigos que tenho conhecido ao longo dos anos nesse
mercado e que sempre acreditaram no trabalho que faço.
Sei de muitas falhas que o evento teve e ouço todas a
críticas para poder melhorar. Farei o melhor - como sempre
procurei fazer em toda a minha vida - dentro das possibilidades
que tenho. Como sempre estou aprendendo e sei que fiz o melhor
dentro das condições para esse público
que é maravilhoso e foi prestigiar o evento. Quero agradecer
de coração a todas essas pessoas e quero que saibam
que existem muitas empresas com verba disponível para
realizar grandes eventos e que jamais fizeram algo parecido.
POR: Com relação ao Brasil Off-Road
Park, como vai funcionar daqui para frente?
Arilo: O objetivo do Park e ajudar a desenvolver
o mercado off-road dando oportunidade às pessoas de conhecerem
e praticarem várias modalidades esportivas ou de lazer,
com seus 4x4.
Vão existir vários tipos de pistas para treinos,
além de cursos off-road a partir de janeiro. Adequaremos
o Park às necessidades do mercado. Sempre acreditei no
potencial do Park, do Festival... Eu já tinha certeza
de quantas pessoas iriam ao Festival, quem duvidou, não
acreditou ou algo do tipo, simplesmente não conhece o
seu público, o que é uma pena.
POR: E os planos para 2002?
Arilo: Continuar incentivando o mercado fora-de-estrada
e todas as suas modalidades, com os meios que todos já
conhecem: a Revista 4x4&Cia, a Equipe de Rally Brasil Off-Road
- que é campeã brasileira e, finalmente, o Park
que será um modelo no Brasil.
Isso tudo, além de participar de muitos eventos nos bastidores.
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