A nossa grande vitória no Rally Rota Sul
por Klever
Kolberg
São Paulo - Estamos desfazendo as malas após
o excelente resultado da equipe Petrobras Lubrax no Rally Rota
Sul. Jean Azevedo venceu na categoria motos com uma KTM 520
e eu e o Lourival Roldan também fomos campeões
nos carros com uma Mitsubishi L200 Evolution. Na categoria caminhões
não tivemos a mesma sorte. O Mercedes-Benz 2428 do André
Azevedo e Robson Pereira enfrentou vários problemas e
terminou em quinto.
Poderíamos olhar isso de maneira negativa, mas este não
é nosso espírito. Estamos trabalhando para evoluir
o equipamento, sendo que uma das mudanças foi a troca
do câmbio manual para o automático. A equipe de
mecânicos se empenhou ao máximo, mas o caminhão
só ficou pronto às vésperas da prova e
os testes aconteceram durante a competição. O
resultado vocês já sabem, mas as informações
e a experiência adquiridas serão uma fonte de recursos
para preparar o Mercedes para seu próximo desafio: o
Rally dos Sertões, no final de julho e começo
de agosto.
Mas não estava no roteiro, muito menos no acampamento,
o maior desafio que enfrentamos. Confesso que foi nos bastidores
que fiquei frente a frente com meu maior medo. Embalados pelas
iniciativas sociais que realizamos em 2002, e também
na carona da campanha assistencial do governo Lula, decidimos
visitar um centro de reabilitação para dependentes
químicos em Torres, de onde foi dada a largada do Rota
Sul.
Nosso tempo estava curto, mas não impediu que eu, o Jean
e o Lourival déssemos uma escapadinha após nossa
participação no prólogo (como os caminhões
largaram por último, o André ainda não
estava livre). Entramos no carro e no caminho aproveitamos para
preparar o que falar. Mas o que falar? Não tínhamos
a mínima experiência com o público deste
perfil. Já havíamos participado de iniciativas
para prevenção do uso de drogas ou trabalhos com
crianças que vivem em famílias que enfrentam esta
doença (a Organização Mundial de Saúde
trata assim este tema).
A decisão foi contar um pouco da nossa vida no rali,
das dificuldades mostrando que "nosso mundo não
é um mar de rosas", da persistência para vencer
os maus momentos e da importância de estabelecer objetivos,
de sonhar com eles. Cheguei assustado ao local. Não sabia
o que me esperava, mas uma visita às dependências
do Projeto Renascer, uma comunidade no estilo de uma fazenda,
foi me dando tempo para colocar os pés no chão.
Após a visita nos reunimos no refeitório. Então
começamos a nos entregar. Sem o uso de qualquer equipamento,
a única técnica foi se dar, doar sua história,
sua verdade procurando passar um bom exemplo, já que
sempre existe a tendência de você ser imitado. Larguei
na pole por ter maior experiência, já que realizo
muitas palestras. Em seguida passei a bola para o Jean, que
dominou a bola no peito, contou sua experiência e por
sua vez tocou para o Lourival, que devia estar num dia muito
inspirado ou sei lá. Não me sinto à vontade
para contar o que eu, o Jean ou o Lourival falamos, mas foi
emocionante, foi surpreendente. O Lourival se deu tanto que
ninguém percebeu que eu cheguei a chorar com o que ele
estava contando. Foi forte.
Saímos de lá orgulhosos, sabendo que essa fora
a nossa grande, a melhor vitória destes dias. Aliás
não tínhamos nada a perder neste campo; só
a conquistar. Coincidência ou não, o resultado
que se seguiu foi o melhor possível. Coincidência
ou não, obrigado ao Lula pelo puxão de orelha
nos lembrando com o Fome Zero que temos de participar, dar o
máximo. Mas também não vamos nos esquecer,
que para o dar o máximo, precisamos cuidar da nossa sobrevivência
e para isso precisamos continuar evoluindo, vencendo, sendo
campeões e dando um bom exemplo.
Klever Kolberg, 40 anos, piloto de carro da equipe Petrobras
Lubrax no Rally Paris-Dakar e no Campeonato Brasileiro de Rally
Cross Country.
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