História, personagem e produto se confudem na vida real
por Gutierrez
Coelho
História, personagem e produto às vezes se
confundem, se entrelaçam, interagem, quando há
uma uma utopia, um sonho. Projeções da infância
podem mais tarde emergir reais, como produto presente do passado
apenas esboçado. No meio "off road" de Belo
Horizonte e porque não dizer das cidades que nos cercam
tão de perto, pleno de personagens variadas, algumas
folclóricas, há um pequeno empresário que
hoje é a essência do passado projetado no futuro
um dia possível, um homem, um jipeiro que produz no presente
tudo aquilo que imaginou, sonhou e projetou na infância
e adolescência cheia de "fantasias jipeiras".
Naquela época, por volta de 1985, veio a marca inicial,
aquela que o tirou da simples admiração e o levou
ao engajamento, a compra de um livro sobre o então evento
máximo do "off road" internacional, o Camel
Trophy, patrocinado pela Camel fabricante de cigarros e pela
Land Rover inglesa com o objetivo de fixar as marcas e dar-lhe
projeção mundial. Uma
das equipes brasileiras formadas pelo Tito Rosemberg e Carlos
Probst, publicaram um livro-diário, na época,
relatando em minúcias a participação numa
das edições do evento e a leitura da obra despertou
a determinação, criou a paixão pelos detalhes
construtivos e pela pesquisa técnica não somente
da prova em si, mas de todos os elementos envolvidos, os jipes
os materiais, dispositivos, acessórios e ferramentas
usados pelos pilotos e navegadores, as soluções
e improvisos usados na transposição dos obstáculos
supostamente intransponíveis.
Porque não reproduzir tudo aqui, porque não adaptar,
porque não pesquisar, projetar mais, se inteirar de tudo
que o universo "off-road" oferecia na época,
porque não se tornar um verdadeiro fora de estrada munido
de técnica e tecnologia?
Muito tempo se passaria antes que a determinação
gerasse algo tangível e que a maior parte das indagações
pudessem ser respondidas, um período de franca e irreversível
evolução na tecnologia dos jipes e, sobretudo,
do surgimento da "febre do off-road", impulsionada
por pioneiros obstinados, a partir do inicio dos anos 90.
A pulsão gerou atitudes, estas realizações,
modestas a principio, como assim é na vida dos jipeiros.
Assinatura da revista especializada de então, a 4x4 &
Pick Up, o ícone brasileiro do "off-road" na
segunda metade dos anos 80, obtenção de material
e reportagens sobre o fora de estrada internacional, filmes,
fitas e mais, muito mais material sobre o Camel Trophy, cujas
edições anuais ao redor do mundo o tornavam o
ponto de convergência sobre tudo o que se relacionasse
ao "off-road". Tudo se mantinha, entretanto, no nível
mais teórico do que prático, inclusive a sua grande
paixão, que persiste até nos dias de hoje, o Engesa
4, uma paixão que surgiu com o lançamento da Engesa,
em 1985, o primeiro jipe genuinamente brasileiro, projetado
e construído aqui, na nossa terra, para nossas condições
diversificadas de relevo e geografia (objeto de seguidas e entusiasmadas
reportagens na revista 4x4 & Pick Up). Não havia
ainda o primeiro jipe, o que somente ocorreu em 1992, com a
compra de um Willys 72, verde, uma pequena aventura, um "gostinho"
que logo passou. Não era a marca, não era o modelo,
não era a mecânica, não era o desempenho,
não eram os elementos tão minuciosamente projetados
e não alcançados, era necessário buscar
outros, atingir objetivos definidos. Era, inclusive, período
para se viver sem jipe, esperando o momento certo.
O passo seguinte seria viver no mundo local do fora de estrada,
de se acercar dos acontecimentos, de estar próximo do
dia a dia da rapaziada que já o praticava mais com o
coração do que com a razão, de fazer bons
camaradas e companheiros. Associar-se ao Jeep Clube foi o natural,
o que propiciou a experiência prática e a confirmação
das teorias elaboradas no correr dos anos ou seja, o "off-road"
altamente técnico, com riscos calculados, capaz de vencer
obstáculos cada vez mais desafiadores empregando acessórios,
dispositivos e ferramentas especialmente desenvolvidos, tudo
isto associado ao equipamento fundamental, o Jipe, projetado
e construído com novas tecnologias em chassis, suspensão,
motorização e transmissão. As importações
tiveram início e impulso e já começavam
a chegar os primeiros Niva, Suzuki, Land Rover e outras marcas,
o que mudou definitivamente o panorama do fora de estrada, trazendo
como dividendo natural as chances reais de desenvolver e apresentar
ao mercado acessórios e equipamentos adequados à
prática do "off-road", a qual atingiu os níveis
que hoje conhecemos.
Chegara,
portanto, o momento. Adquirir um Engesa 4, e depois experimentar
e sentir o potencial das outras marcas emergentes, sem perder
a paixão pelo Engesa 4, conhecer-lhes as características
de conceito e projeto. Descobrir novas trilhas, aprimorar as
técnicas da pilotagem fora de estrada, identificar o
produto certo para cada carro e para cada tipo de trilha, perceber
o que a demanda sempre crescente exigia de um mercado fornecedor
ainda incipiente, enfim, dedicar-se ao propósito, engajar-se
definitivamente na condução de tudo o que pertencera
ao imaginário para o real. Havia agora todas as condições
para o surgimento da Todo Terreno Equipamentos Especiais, fundada
com o objetivo precípuo de desenvolver e fabricar acessórios
e equipamentos destinados unicamente ao "off-road",
tendo como premissa básica a proteção adicional
que jipes requerem nesta prática . A tese não
era simplesmente "enfeitar" um jipe e sim prepará-lo
para uma situação que cada vez mais exigia técnica
e segurança, associadas ao arrojo e à habilidade.
A crescente evolução do 4x4, hoje uma indescritível
fonte de prazer e realização para seus praticantes,
o surgimento de novas e competentes marcas, a renovação
sempre constante realizada pelos jipeiros na busca de equipamentos
mais modernos e potentes, necessitam ser paralelamente acompanhados
por um fabricante de equipamentos e acessórios de qualidade
com visão de mercado. Disto a Todo Terreno faz objetivo
constante, atenta ao surgimento contínuo das novidades
em todas as marcas, o que a torna uma fornecedora atual, moderna,
permanentemente compromissada com a qualidade e a atualização
tecnológica de seus produtos.
São quase três anos de uma luta contínua
para se firmar num mercado exigente, como o 4x4. É o
mesmo período duramente trabalhado na busca de subfornecedores
qualificados, de novas metodologias de trabalho em materiais
e de processos inovados de produção, de inúmeros
protótipos e experimentos. É o mesmo período
em que o nosso amigo Murilo Ulhoa Goulart, hoje reconduzido
à Diretoria Técnica do Jeep Clube Minas Gerais,
tem dispendido esforços e recursos para manter sua credibilidade
duramente conquistada como fabricante detentor de moderna tecnologia
, sua respeitabilidade como profundo conhecedor de trilhas e
jipes, em conceito e projeto, além do pleno domínio
da técnica de condução fora de estrada.
A marca Todo Terreno busca a preservação, a evolução,
inclusive sua grafia e pronúncia valorizam nosso idioma
hoje grande absorvedor de terminologia de origem inglesa. Sua
missão está clara e perfeitamente definida, é
manter-se sempre ao lado, provavelmente à frente, da
evolução tecnológica e das exigências
sempre renovadas do mercado, apoiando-se no seu propósito
básico de desenvolver seus próprios projetos,
sempre inéditos.
Certificados de garantia dos produtos, procedimentos de qualidade
total, cuidados no acabamento, construção de imagem
sólida no mercado são fatores que a credenciam
à certificação ISO 9002, elemento fundamental
no mercado globalizado de hoje. É a utopia, é
o sonho, são as projeções do passado hoje
convertidos em realidade. Dura, exaustivamente trabalhada, pontilhada
dos percalços comuns à vida, mas é realidade.
Gutierrez Coelho
Presidente do Jeep Clube Minas Gerais |
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