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Abertura do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade
Por: Ulysses Bertholdo
Foto: Cláudio Larangeira

A temporada de 2001, como já foi muito divulgado, promete ser a melhor de todos os tempos do rally de velocidade brasileiro, e isso já foi visto nessas primeira e segunda etapas, realizadas na cidade de Erechim, Rio Grande do Sul. Procurarei contar alguns detalhes de modo geral, mas focando principalmente a categoria principal - N4 (carros turbo 4x4) -, que é a categoria da qual faço parte. Por estar mais envolvido com os participantes dela, fica mais fácil fazer uma narrativa dos acontecimentos.

1ª Etapa
A chuva que caiu intensamente na sexta-feira fez com que vários pilotos, que tinham feito seus levantamentos na semana anterior, perdessem todo seu trabalho, pois com a chuva, todo o levantamento das especiais deveria ser revisto.

No sábado, antes da largada, apreensão geral de todos os participantes, pois poucos possuiam pneus especiais para barro. Na N4, somente o Paulo Vignoli possuia esse tipo de pneu e eu possuia um jogo de pneus misto barro / terra. Com certeza isso seria uma enorme vantagem.

Ao mesmo tempo, a posição de largada também seria outro ponto fundamental. Ficou definido que a ordem de largada do sábado seria a classificação geral do Campeonato do ano passado. Eu, juntamente com o Alberto Zoffmann - meu novo navegador, que merece um destaque especial pela rápida adaptação à "cantada" muito mais rápida nos carros 4x4 e também pela sua organização e enorme tranqüilidade, que fizeram a diferença -, largando em primeiro lugar, as coisas seriam muito mais difíceis, pois o primeiro carro vai limpando as estradas para quem vem atrás.

Conseguimos vencer a primeira especial ("Frinape 1"), com os Vignoli em segundo e Guiga / Giba (meus companheiros de equipe) na terceira posição. Edio Füchter teve problemas com a mangueira do turbo estourada.

A segunda especial ("Café de Casa 1") foi travada, com subidas e descidas e muito barro. Um pneu furado logo no quilômetro 2 da especial fez com que perdêssemos muito tempo e achávamos que perderíamos a liderança também. Para surpresa nossa, vencemos a especial, com Guiga / Giba em segundo e Maurício / Gilson, da equipe Subaru "semi-oficial", em terceiro.

Terceira especial, repetição da primeira e, mais uma vez, o melhor tempo. Na quarta, repetição da  "Café de Casa", vitória de Maurício / Gilson, nós em segundo e, em terceiro, os irmãos Vignoli (agora com os pneus específicos para barro). Vale dizer que tivemos uma escapada em uma curva e acertamos uma enorme pedra que danificou a suspensão traseira direita (como é de costume, batidas sempre do lado do navegador!!!! Ha, ha, ha...).

Quinta especial ("Pedreira") e um show de Guilherme Spinelli e Giba Barricatti, que cravaram o melhor tempo, seguidos por mim e Alberto, e os irmãos Vignoli. A sexta especial do dia ("Peccin") era a mais curta e travada de todas. Vitória de Edio, seguido por mim em segundo e Tino em terceiro.

A última especial do dia é a mais esperada por todos e principalmente pelo público, que superlotou as dependências do EAEC - Erechim Auto Esporte Clube. Aproximadamente 10.000 pessoas esperavam a chegada da última especial e posteriormente as largadas - dois a dois - para o Super-Prime, na arena do EAEC.

Resultado final, dobradinha da equipe Mitsubishi Racing, com Lancer Evolution VI: Ulysses Bertholdo / Alberto Zoffmann em primeiro e Guilherme Spinelli / Giba Barricatti em segundo. Na terceira posição, Paulo Vignoli / Tavo Vignoli, com Mitsubishi Lancer Evo V. Na A7, vitória de Marcola / Tarcísio em cima dos companheiros de equipe, Lemos / Lima. Na A6, vitória de Tedesco / Boering, por apenas 6 segundos, sobre os locais irmãos Sartori. Na N2, a categoria com maior número de participantes, vitória da dupla de Erechim, Fico Barros / Irineu Camargo, sobre a dupla de Farroupilha, Jayme Rossler / Auri Klein, eles que possuem vários títulos brasileiros no rally de regularidade, agora buscando seu espaço no velocidade.

Particularmente, a surpresa da etapa foram os irmãos Vignoli, que andaram muito rápido logo em sua terceira participação em provas de velocidade e só não venceram na geral porque erraram na estratégia de utilização dos pneus de barro. A decepção ficou por conta da equipe oficial da Subaru, em que Edio / Gomes e Tino / Paula não confirmaram as declarações dadas aos veículos de imprensa locais, nas quais afirmavam que não admitiam outro resultado senão a vitória.

2ª Etapa
A ordem de largada para a segunda etapa, no domingo, seria a classificação geral do dia anterior. Portanto, a equipe Mitsubishi Racing largaria em primeiro e segundo lugares. A chuva da noite de sábado mais uma vez tornaria a prova muito difícil para todos. Nessa segunda etapa, seriam percoridas 5 especiais: "São Roque", especial nova no rally de Erechim, e depois a "Cristalina", mesma especial do ano passado ("Esperança"), só que com o nome diferente, sendo que elas seriam repetidas por mais uma vez, e novamente a EAEC.

A especial Cristalina, na minha opinião, é a melhor especial do Brasil, por ser uma das mais seletivas, com descida de serra com curvas de 180 graus, trechos muito estreitos e rápidos, saltos em alta velocidade, subidas de serra com pedras, trechos de calçamento, estradas com curvas largas, grandes retas, um pequeno trecho de asfalto, curvas de alta, barro, piso liso, enfim, todo o tipo de terreno é encontrado nessa epecial.

A primeira especial já provocou inúmeros problemas para vários pilotos, dentre eles Edio, Guiga e vários pilotos da N2, que acertaram uma enorme pedra encravada no barranco e escondida por um pequeno mato. Essa pedra ocasionou muitos pneus furados, várias suspensões danificadas e até um acidente com a dupla Gustavo El-Jaick / Pedro Brandi (RJ), que após baterem na pedra, decolaram e pararam diretamente em uma árvore. Nessa especial, vitória minha / Zoffmann, seguidos por Edio / Gomes - mesmo com pneu furado - e Tino / Paula. Destaque para Paulo Lemos e Sérgio Lima, que fizeram o quinto tempo com um carro 4x2, em uma especial com muito barro.

A segunda especial foi muito difícil e quem arriscou um pouco se deu bem. Particularmente, forçei um pouco o ritmo nessa especial e consegui abrir uma boa vantagem em relação aos outros. Em segundo ficou o Tino e em terceiro o Vignoli.

A terceira especial foi a repetição da primeira e a vitória ficou para Edio, seguido por Tino e, a apenas 5 décimos de segundo, o Spinelli. A quarta especial foi novamente a SS Cristalina, onde obtive o melhor tempo, seguido pelo Edio e pelo Spinelli. A quinta especial foi de grande importância para a disputa da terceira colocação na geral, pois Edio e Spinelli (que fazia uma prova de recuperação) largaram com a diferença entre si de apenas 1 décimo!!!!!!!!!! No fim, vantagem para Spinelli, seguido por Tino e Vignoli.

Na classificação final, vitória minha / Zoffman, seguidos por Tino / Edu Paula e, em terceiro, Guiga Spinelli / Giba Barricati. Na A7, mais uma vitória do Marcola / Sérgio Tarcísio, seguidos pelo Salim Lamha, estreando sua filha, Aline Lamha, como navegadora e, em terceiro, os curitibanos Antonhio Althein / Albert de Oliveira. Na A6, vitória de Tedesco, após acidente na última especial com os irmãos Satori, que largaram com uma vantagem de 12 segundos sobre o piloto catarinense e acabaram batendo e abandonando a prova. Na N2, a primeira vitória do Rafael Túlio (mais conhecido com Pomerode), ao lado do navegador Emerson Cavassin, com uma excelente prova. Em segundo, Fico Barros / Irineu Camargo e em terceiro Jayme Rossler / Auri Klein.

Resumo
Fazendo um resumo geral, a nota 10 vai para o público de Erechim e do Rio Grande do Sul que, mesmo com um tempo muito ruim, com chuva e frio, veio de várias partes do Estado para prestigiar o evento, reunindo um público jamais visto em provas de rally de velocidade.

A nota 0 (zero) vai para os ralizeiros de Minas Gerais, que tanto falaram e fizeram para que não fosse excluída nenhuma categoria do Campeonato Brasileiro de Velocidade, para que pudessem participar, e infelizmente não deram o ar da graça na abertura do Campeonato.

No mais, o que se viu é que esse ano teremos muitas disputas em todas as categorias, sem favoritos e, provavelmente, os campeões só serão conhecidos na última etapa do Campeonato.

Um abraço a todos e até a próxima.

Ulysses Bertholdo - piloto da equipe Mitsubishi Racing, que tem patrocíno da Grand Prix, Inbra-Blindados, Pirelli, e apoio da Castrol, Garrett, Lico, ArtFix, Scorro e Companhia Athlética.

 

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