Jeep Clube Minas Gerais quebra o milho na Semana Santa
por Norberto
Dias / Fotos: Norberto Dias e Gilvan Costa
Sob
o carinhoso e divertido slogan "Vamos quebrar o Milho", aconteceu,
no feriado prolongado da Semana Santa, entre os dias 13 e 15
de abril de 2001, um passeio, saindo de Belo Horizonte com destino
a Milho Verde-MG. Organizado pelo Jeep Clube Minas Gerais, o
passeio contou com a participação de 20 jipes,
entre eles Samurai, Vitara, Land Rover D90, S10, Willys, Troller,
Toyota e JPX.
Milho Verde é conhecido como um lugar simples, rústico
e pacato, com muita natureza, cachoeiras e trilhas para todos
os gostos, desde aquelas para caminhadas até as
radicais, para serem feitas com 4x4.
A
saída aconteceu às 07h do dia 13 - sexta
feira -, com muita animação Não faltou
organização e alegria. Após reunido o comboio
e distribuídas as camisetas do evento, os jipeiros animados
partiram para o destino, passando por Lagoa Santa-MG, prosseguindo
pelo asfalto até a entrada para a Serra do Cipó
e, após percorrer 96 km de "caminhos ruins"
(asfalto), o comboio deu uma parada para merecido descanso,
para então enfrentar os próximos 150 km de caminhos
fantásticos, de muita terra, poeira, buracos, lama e,
principalmente, muitas paisagens de tirar o fôlego de
qualquer jipeiro que se preze.
A única coisa que atrapalhou um pouco o visual foi a
neblina que, perto da cachoeira Véu da Noiva, não
permitiu aquela visão de tirar o fôlego. Mas na
volta o sol compensou com juros.
Uma
pequena parada para fotos na estátua do Juquinha, onde
a neblina e o frio contrastavam com a poeira da trilha. Depois
na Cidade Fantasma, com direito a aperitivo, uma trilha de barranco
a 40 graus de subida, com costeletas e buracos bem molhados,
onde dois Troller somente se aventuraram a subir e descer. Foi
uma alegria só, que arrancou aplausos de todos os participantes.
Muito caminho bom, onde a poeira e o sol castigavam, mas pelo
rádio era um contentamento só e todos participavam
dos diálogos e principalmente das piadas. Entre uma piada
e outra, pequena pausa para tirar "tijolos e telhas"
do nariz e da garganta.
Em Conceição do Mato Dentro, uma paradinha para
abastecimento dos carros e desabastecimento dos pilotos, navegadores
e zequinhas. A caravana segue em frente com destino ao Serro,
onde o melhor da festa nos esperava. Entre os motivos, a organização
do evento, juntamente com um dos maiores postos de abastecimento
da cidade, nos proporcionaram a gasolina e o diesel com preços
de Capital do Estado.
Na
cidade esperavam-nos com uma recepção típica
das mais hospitaleiras cidades do interior: o Prefeito, Secretária
de Turismo e uma grande quantidade de pessoas, com direito a
fechar todo o trânsito do centro da cidade para aguardar
a chegada do comboio. Após os mais calorosos e gentis
discursos, não poderia deixar de haver uma foto para
a posteridade, com faixa e todos os participantes do evento
com camiseta própria e a alegria sempre peculiar. Foi
uma verdadeira festa, que marcou o dia na cidade e em nossos
corações.
Todos
devidamente abastecidos de comida, bebida e combustível,
seguimos em frente com destino a "quebrar o Milho". Após
mais um trecho de muita poeira, em contraste com o visual maravilhoso
das paisagens das subidas e descidas das serras, chegamos ao
nosso destino final, depois de 245 km rodados em 9,5 horas de
muita satisfação e regozijo.
Todos acomodados, banho tomado e noite livre para a merecida
loira gelada, os membros do grupo se encontravam no vilarejo
a toda hora, tão diminuto e aconchegante é o lugar.
O roteiro para o sábado seria de muitas trilhas e cachoeiras
e todos aguardavam com ansiedade. Finalmente, às 08h,
todos a postos no restaurante da pousada, foi exposto o roteiro
do dia. E após o café da manhã, ouvimos
pelo rádio um pedido de ajuda de um jipeiro que, após
ter seu pneu furado, voltou ao Serro para arrumar e no meio
do caminho furou o outro. Socorro prestado, voltamos às
trilhas e seguimos para a cachoeira do Moinho onde, apesar da
água turva pelas chuvas, o visual é de encantar
os mais indiferentes. Muitas pedras para um bom trekking; vários
se aventuraram a descer pelas trilhas e poucos a subir, pelo
outro lado. Mas
quem o fez, não se arrependeu pois teve muito a contar
depois. Aliás digo que somente uma pessoa se aventurou
a fazê-lo e subiu triunfante. Os demais somente ficaram
a olhar com água na boca.
Depois dessa primeira visita, já se podia ver o brilho
nos olhos de todos os participantes e a ansiedade por ver as
próximas maravilhas que nos esperavam. Todos a postos
em seus 4x4, seguimos para a cachoeira do Carijó, depois
de percorrer alguns poucos quilômetros. Jipes parados,
isopor nas costas e família, cachorros, papagaios e demais
bagagens descendo, todos já estavam se deliciando nas
águas límpidas da cachoeira. Findo o banho dos
mais afoitos, que se aventuraram a desafiar as águas
geladas daquele poção, todos se reuniram para
a melhor das diversões : música e muitas tiradas
de bom humor. Teve
até dança da chuva e da garrafa...Um espetáculo
!
Após a rolha da garrafa do vinho teimar em não
querer sair, apesar da dança , desistimos. E com a garrafa
embaixo do braço, fomos para Capivari, de onde saem diversas
trilhas para cachoeiras maravilhosas. Como todas as trilhas
até então eram leves, em Capivari vários
sentiram falta de algum desafio para apimentar o passeio. Descobrimos
então que poderíamos ir a cachoeiras com trilhas
leves ou bem mais "quentes" e, por unanimidade, todos queriam
o desafio.
Cinco minutos de preleções sobre como proceder
na trilha escolhida, todos seguem em comboio para o que seria
uma das mais fantásticas experiências que já
passei. Chegamos a um rio, onde atravessaram vários carros,
com paradas pelo distribuidor molhado. Mas na vez do Toyota..."No
meio do caminho tinha um rio...Tinha um rio no meio do caminho..."
E lá se foram 2 toneladas de aço para o fundo
d'água...Vimos apenas pacotes de Fandangos, maços
de cigarro e isqueiro... Tudo descendo a correnteza...
Refeita
a perplexidade, lá fomos para tentar resgatar o Toyota
presa na lama do fundo do rio. Apesar do ocorrido, foi gratificante
foi ver o espírito de companheirismo de todos que estavam
ali. Todos desistiram da cachoeira e, até o fim, acompanharam
com a mais visível e sincera preocupação
o resgate do amigo náufrago. A foto ao lado comprova
que a vontade de ajudar era tanta, que um Samurai branco,
ao fundo, na maior boa vontade, tentou sozinho rebocar o Toyota.
Não foi uma tarefa das mais fáceis, pois foram
precisos um Land Rover D90, um JPX, um Troller e um Willys para
tirar aquelas toneladas das profundezas, irremediavelmente imóveis
e sem nenhum sinal de vida.
Enfim, após 4 horas de tentativas, fitas arrebentadas,
o Toyota estava são e salvo, rebocado pelo JPX até
Milho Verde, com todos os participantes seguindo-o. Não
funcionava mais, mas como é peculiar nesse veículo,
nada que uma troca de óleo geral, uma bateria emprestada
de meu Samurai, não a fizesse voltar ao mundo dos vivos
e seguir viagem de volta pra casa, levando seus ocupantes sãos
e salvos. Ao chegarmos, como não poderia faltar, a comemoração
pela vitória foi regada a Skol bem gelada.
Vocês devem estar se perguntando : e o Willys da foto,
parado com o capô aberto? Bastou uma pequena secada no
distribuidor para que voltasse a brilhar...
O domingo ficou livre, mas mesmo assim o companheirismo prevaleceu
e voltamos todos com o gosto da vitória na boca e a sensação
de dever cumprido... Nada melhor! No próximo, vou estar
junto. |
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